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dezembro 17, 2008

Gavin Bryars dá cartas em Serralves

Há tempos, queixava-me aqui da pouca divulgação que o compositor e contrabaixista britânico Gavin Bryars tem em Portugal. Pois bem, agora que ele se prepara para actuar, com o seu Ensemble, no auditório do Museu de Serralves (depois de amanhã), esperemos que, pelo menos os jornais da cidade, não lhe passem ao lado.

A Rádio Universitária de Coimbra, essa, percebeu a relevância do espectáculo, intitulado A Man In A Room Gambling, e vai transmiti-lo em directo. Rádio de Coimbra, note-se.

O espectáculo partiu originalmente de uma encomenda da BBC Radio 3 e da Artangel. Foi concebido como programa de rádio e desenvolve-se a partir de uma sequência de textos sobre estratégias usadas em jogos de cartas, acompanhados por música. O programa inclui ainda The North Shore, obra memorial que Bryars dedicou a Juan Muñoz, cujos trabalhos em vários domínios, como a escultura, instalação e desenho, estão expostos, até Fevereiro, no Museu de Serralves.

No site da Tate Gallery, de Londres, pode ser ouvido um excerto de A Man In A Room Gambling.


A ler:
Gavin Bryars no Travessias

fevereiro 15, 2008

Gavin Bryars, Tom Waits e um vagabundo

Uma das coisas que mais gozo dá no YouTube é encontrar peças raras, vídeos que nunca vimos, nem tão pouco sabíamos que existiam. É o caso deste Jesus' Blood Never Failed Me Yet, do compositor britânico Gavin Bryars.

Composta em 1971, a peça foi sendo regravada e aumentada ao longo dos anos. Nesta versão, podemos ouvir duas vozes: uma é a de um vagabundo das ruas de Londres; a outra é de Tom Waits (um dos músicos "residentes" do Travessias), cujo empenho em experimentar novas sonoridades se tem, felizmente, confirmado ao longo da sua carreira.

Gavin Bryars, nascido no Yorkshire, em 1943, começou por estudar filosofia e só depois música (um dos seus bons álbuns chama-se, curiosamente, Farewell to Philosophy). Compõe e toca contrabaixo. A sua extensa discografia começa em 1971.

Os trabalhos de Bryars cruzam diversos estilos musicais, incluindo jazz, improvisação, minimalismo, música experimental e de câmara, avant-garde, neoclassicismo e ambiente. Talvez por isso não passe em televisões e rádios de massa. É pena.

(dica de Naná)

dezembro 22, 2007

Música de lamentação em Auschwitz

As palavras do segundo andamento da sinfonia No. 3 (Symphony of Sorrowful Songs), de Henryk Górecki, foram retiradas de uma oração escrita na parede de uma prisão da Gestapo, em 1944, por Helena, rapariga polaca de 18 anos.

Este tocante Lento e largo - Tranquillisimo foi incluído no filme Holocaust - A Music Memorial Film from Auschwitz, produzido, em 2005, para televisão. Pela primeira vez desde a libertação deste campo de concentração, ouviu-se música neste espaço de memória tenebrosa.

outubro 17, 2007

Os poemas do deserto de Stephan Micus

Stephan Micus, compositor e multi-instrumentista alemão, é um nómada da música. Começou muito cedo a viajar pelo mundo inteiro e a estudar técnicas musicais antigas, sobretudo na Índia e no Japão.

Coleccionou instrumentos étnicos pouco conhecidos no Ocidente e com eles, praticamente sozinho em estúdio, produz sonoridades estranhas e absorventes, que tem registadas em discos gravados para a imparável editora de Manfred Eicher, a ECM.

O álbum Desert Poems (2001) é particularmente fascinante. A começar pela capa, belíssima. Micus pega em instrumentos étnicos (uma harpa da África Ocidental, um piano tanzaniano ou um "tambor falante" do Gana, entre outros) e, com recurso a técnicas de estúdio, constrói um edifício sonoro simultaneamente amplo e minimalista.

Em tempos de saturação mediática musical "mainstream", álbuns transculturais como Desert Poems são um verdadeiro oásis. Quase tão bom como o silêncio puro.

junho 23, 2007

Philip Glass por estas bandas sonoras

Philip Glass actua hoje no CCB, em Lisboa, e amanhã, na nova meca dos melómanos do norte, o Theatro Circo, em Braga. Lá estaremos, como é evidente.

Glass tem 70 anos e uma obra imensa e diversificada. É considerado, a par de Steve Reich, Terry Reily e John Adams, uma das figuras mais proeminentes da chamada escola minimalista.

O piano de Glass já entrou, muitas vezes discretamente, por muitos ouvidos adentro nas salas de cinema, em filmes como The Truman Show, As Horas, Kundun ou Mishima. Talvez tenha sido, para muita gente, o primeiro e único contacto com a música deste compositor norte-americano.

Aliás, neste excerto do Truman Show, é ele mesmo que vemos a tocar ao piano:

Outra área que tem atraído Glass é o multimédia, como podemos ver nesta vídeo-instalação produzida para o drama musical em três partes (peça, dança e concerto) The Photographer:


Uma das mais recentes bandas sonoras que produziu foi a do filme Diário de um Escândalo, estreado há pouco tempo em Portugal. Neste vídeo, o próprio Glass explica como foi o processo de composição:

abril 12, 2007

Música para incenso

Casa da Música, 2006. Ryuichi Sakamoto toca. Aos pés do piano, arde incenso. O fumo sobe, em câmara lenta, serpenteando no ar ao ritmo sereno da música. Ao fundo, o ecrã electrónico pisca ao bater nas teclas. Alva Noto está ao computador. Momento Zen.

março 08, 2007

Arvo Pärt no anonimato

Este comentário foi deixado, por um leitor anónimo do Travessias, na entrada "Arvo Pärt também se dança": «Pergunto-me se será possível dançar "Spiegel im Spiegel" de "Alina"... O som mais aproximado que conheço de poéticos pingos de chuvas.»

Não é justo. Um comentário com esta pinta não devia ser anónimo. Ouçamos então os pingos de chuvas de Pärt. Vale a pena. Obrigado, anónimo. Onde quer que esteja.



fevereiro 27, 2007

Arvo Pärt também se dança

A música de Arvo Pärt vive num fio ténue, entre o belo quase absoluto e a atracção irresistível pelo abismo. A companhia de dança do argentino Miguel Robles parece ter captado na perfeição as ondulações contrastantes de Tabula Rasa, um dos trabalhos mais conhecidos do compositor estónio. Dança e música dos nossos dias.

julho 08, 2005

Notas de Mertens

Duas observações a reter da interessante entrevista (RTP) de Ana Sousa Dias a Wim Mertens. Uma: para o compositor belga, 97 por cento da música actual é intepretação e apenas 3 por cento criação. As percentagens são simbólicas, mas não andarão muito longe da realidade.

Outra: há excessivo academismo, muita escravatura da pauta, que impedem, por exemplo, o aparecimento de vozes mais "autênticas" ou "puras" no panorama musical contemporâneo.

março 31, 2004

De ouvido: piano solo

Para amparar na perfeição o final da tarde de um dia de chuva, cinza e vento: Solo Piano, de Philip Glass.