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outubro 05, 2007

Birmânia sob os olhares da Magnum

A Birmânia vista pelo olhar de fotógrafos da agência Magnum. Cartier-Bresson incluído. Burma, behind the Conflit.

junho 19, 2007

Já ninguém escuta

«Há uma desordem mental muito arreigada, uma reconhecida doença mental chamada «síndrome de Jerusalém»: uma pessoa chega, inala o ar puro e maravilhoso da montanha e, de repente, inflama-se e pega fogo a uma mesquita, a uma igreja ou a uma sinagoga. Ou, então, tira a roupa, sobe a um rochedo e começa a fazer profecias. Já ninguém escuta.»

«O século XX parece ter dado mostras excelentes neste sentido. Por um lado, os regimes totalitários, as ideologias mortíferas, o chauvinismo agressivo, as formas violentas de fundamentalismo religioso. Por outro, a idolatria universal de uma Madonna ou de um Maradona. Talvez o pior aspecto da globalização seja a infantilização do género humano - «o jardim de infância global», cheio de brinquedos e adereços, rebuçados e chupa-chupas.»

«A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. Nessa tendência tão comum de melhorar o vizinho, de corrigir a esposa, de fazer o filho engenheiro ou de endireitar o irmão, em vez de deixá-los ser. O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio. Quer salvar a nossa alma, redimir-nos.»

junho 05, 2007

E Putin? Gostará dos seus filhos?

Estas notícias começam a inquietar. Já aparecem com destaque nas primeiras páginas dos jornais: «O Presidente Putin ameaçara voltar a apontar mísseis balísticos a alvos europeus se os Estados Unidos não desistirem de instalar mísseis interceptores na Polónia. Declarações que para o Reino Unido deixaram toda a Europa inquieta.»

Retórica de "guerra fria". Estão de volta os fantasmas da "Destruição Mútua Assegurada". E o homem volta a exibir, em todo o seu trágico esplendor, a inclinação bruta para a estupidez.

Sting precisa de actualizar "Russians", uma canção que começa assim:

«In europe and america,
there's a growing feeling of hysteria
Conditioned to respond to all the threats
In the rhetorical speeches of the soviets
»

Os cenários repetem-se. Mudaram os actores. Será que Putin gosta dos seus filhos?

abril 22, 2007

A história dos EUA contada por uma bala

Uma breve história, em desenho animado, dos Estados Unidos. Dos peregrinos à criação da National Rifle Association, liderada por esse grande actor pistoleiro chamado Charlton Heston. A apresentação está a cargo de uma bala. Ou de como os EUA amontoam 10 mil mortos por ano, vítimas de armas de fogo, vendidas toma-lá-dá-cá a qualquer puto marado da Virgínia. De Michael Moore, o provocador-mor dos States:


fevereiro 09, 2007

Eu concordo com a despenalização

Depois da barulheira algo insana da campanha para o referendo, é bom voltarmos ao início. À pergunta inicial, que é esta, e esta: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

Concordo, sim senhor.

dezembro 24, 2006

Natal a caminho de Guantánamo

A Caminho de Guantánamo era um DVD que o Pai Natal, em jeito de puxão de orelhas a cidadãos mal informados, nuns casos, pessimamente formados, noutros casos, deveria pôr no sapatinho de George W. Bush, Tony Blair, Donald Rumsfeld, Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Paulo Portas, José Manuel Fernandes, José María Aznar, Durão Barroso, Pacheco Pereira, João Carlos Espada e no do mais distraído colunista de toda a história da imprensa portuguesa: Luís Delgado.

novembro 17, 2006

setembro 13, 2006

A face dos caídos

Bagdad está hoje a ferro e fogo. 60 corpos foram encontrados com sinais de tortura e quase 30 pessoas morreram num ataque contra a polícia. Para a generalidade dos ciberjornais portugueses, isto não está a ser notícia até agora (meio da tarde). Mas no Le Monde.fr, no New York Times ou no washingtonpost.com está.

No Post, vale a pena espreitar o trabalho Faces of the Fallen sobre todos os soldados norte-americanos mortos até agora no Afeganistão e no Iraque. São 2984. O jornal criou um registo com dados relativos a cada um deles.

Aviso: conteúdo verdadeiramente indigesto para neocons.

agosto 21, 2006

Bush: quem tem dúvidas?

A pergunta do momento em Washington: «Bush é um idiota

agosto 11, 2006

Líbano: um mês de loucos

Faz agora um mês, o Hezbollah capturou dois soldados israelitas. A retaliação directa levada a cabo por Israel traduz-se, hoje, em 1032 libaneses mortos, a maior parte deles civis (entre eles uma quantidade hedionda de crianças), quase 3600 feridos e mais de 900 mil deslocados.

Isto não é Israel a lutar pela sua própria sobrevivência. É o retrato de um estado a afundar-se no seu próprio desespero.


A ler:
Lebanon under siege


julho 31, 2006

Inclinação para o massacre

O recente desvario facínora de Israel no Líbano fez-me recordar e reler uma passagem do livro A Ideia de Europa, de George Steiner:

«Somos bípedes capazes de sadismo indizível, ferocidade territorial, ganância, vulgaridade e todo o tipo de torpeza. A nossa inclinação para o massacre, para a superstição, para o materialismo e o egotismo carnívoro pouco se alterou durante a breve história da nossa estada na Terra.»

julho 23, 2006

Líbano

Já pode ser lido online um texto, lúcido e certeiro, que Vital Moreira escreveu recentemente no Público, a propósito do ataque israelita no sul do Líbano.

Começa assim: «Quando um Estado, para responder a uma acção bélica inimiga, resolve atacar alvos civis, matar gente inocente a esmo, destruir estradas e pontes, portos e aeroportos, centrais eléctricas e bairros urbanos, isso tem um nome feio: terrorismo. No caso, terrorismo de Estado. Na vertigem da violência que é o interminável conflito israelo-palestiniano, Israel adopta decididamente a mesma lógica fatal de que acusa os seus inimigos, ou seja, transformar os civis em carne para canhão.»

Vale a pena ler o resto de "Entre ruínas, ninguém leva a melhor".

julho 15, 2006

Israel destrambelhado

A propósito da destrambelhada e desproporcionada intervenção militar na Faixa de Gaza e no sul do Líbano por parte de Israel - esse estado que, por vezes, se comporta como um verdadeiro terrorista - o Monde faz hoje, em editorial, uma síntese perfeita:

«Depuis l'arrivée de George W. Bush à la Maison Blanche, les Etats-Unis ont abandonné leur rôle d'" honnête médiateur" et collent à la politique d'Israël, quelle qu'elle soit. Les Russes n'ont pas de stratégie particulière, sinon celle de rendre la vie difficile aux Américains. Les Européens ont du mal à se faire entendre, faute d'exister politiquement. Et, comme l'a montré une pathétique prestation vendredi soir au Conseil de sécurité, l'ONU est impuissante : elle est le reflet de la mauvaise volonté de tout le monde.»

junho 02, 2006

Um dia de cão

Muitos dos nossos iluminados deputados passam toda a legislatura em ambiente de silly season. Mas, quando a época balnear começa, a perturbação agrava-se. Pior agora, que andam todos desvairados com a selecção. Vai daí, sai disto:

«O PSD apresentou um projecto de resolução que visa a instituição de um "dia nacional do cão"

Vossas Excelências querem mesmo ser levadas a sério?

maio 31, 2006

Esfaimados deputados

Depois da "balda da Páscoa", a "fominha do Mundial":

«Os cinco partidos com assento parlamentar acordaram ontem alterar a ordem de trabalhos da Assembleia da República, no próximo dia 21 de Junho, de forma a que a discussão plenária não coincida com a hora do jogo Portugal-México, a contar para o Mundial. A decisão, em conferência de líderes foi tomada por consenso, merecendo também a concordância do presidente da AR, Jaime Gama.» (DN)

A sorte destes esfaimados de bola, portentosos no tiro no pé parlamentar, é que estamos em Portugal. Já ninguém leva a mal...

abril 23, 2006

Iraque, 300 mil mortos

A todos os que apoiaram a invasão ilegal e bárbara do Iraque, a todos aqueles que carpiram lágrimas de júbilo ao verem a estátua de Saddam cair, proponho o seguinte: numa das próximas noites de insónia, em vez de contarem carneiros, contem civis iraquianos mortos. Um a um. Crianças. Homens. Mulheres. Jovens. Velhos. Um a um. De um a 300 mil.

E tenham muito bons sonhos.


A ler:
São 300 mil mortos no Iraque (Expresso, 22.04.2006)

abril 22, 2006

A bola dos deputados

No parlamento português há, de facto, um grupo de deputados empenhado, responsável, competente e com razoável sentido do dever. O resto é um "clube de homens" para esquecer. Não admira, pois, que haja tão poucas mulheres por aquelas bandas com pachorra para os aturar.

Ontem, no fórum da TSF, a deputada Maria de Belém explicava que as sessões só acabam a horas decentes quando aqueles muitos senhores deputados que se babam por bola, e cujas orgásmicas discussões sobre o filosofia do esférico dá para imaginar ali nos Passos Perdidos, têm muita pressinha para ir ver o derby do dia.

Outros metem-se mesmo no avião, voam até Camp Nou e dizem que foram em nobre representação parlamentar.

Outros ainda, como o deputado Narana Coissoró, acham a coisa mais natural do mundo que o parlamento pare quando há um Benfica-Barcelona.

Junte-se a isto episódios como a "balda da Páscoa" e outros pouco edificantes, que os cidadãos não chegam a conhecer, e temos, não uma verdadeira casa da democracia, mas um abastardamento foleiro da mesma com a assinatura dos seus principais inquilinos.

Ou muita desta gente, que é suposto representar condignamente os portugueses, perdeu por completo a noção do ridículo ou então nunca na vida a chegou a ter.

outubro 20, 2004

Gente perigosa

Este governo começa a ser um caso sério de polícia. Já não se limita a fazer pressões mais ou menos directas para se calarem vozes incómodas, estejam elas nas televisões, nos jornais ou nas rádios: faz gala disso.

O ministro Morais Sarmento veio agora assumir que «deve haver uma definição por parte do poder político acerca do modelo de programação do operador de serviço público» e que deve «haver limites à independência» dos operadores públicos. Donde, para ele, é o governo que deve responder pela RTP, mesmo ao nível da informação. Credo!

Outro ministro, famoso pela sua fidelidade canina a Santana Lopes e que esteve na origem do 'caso Marcelo', insinua a existência uma cabala entre o Expresso, o Público e Marcelo Rebelo de Sousa para atacar o governo. Isto, apesar de assumir que não tem provas. Importa-se de repetir, dr. Gomes da Silva?

Depois do 'caso Granadeiro', corrido quase a pontapé da Lusomundo para ser substituído por um «yes man» a toda a prova vindo da administração da Lusa, e do 'caso Marcelo', estas atordoadas ministeriais do dia enterram de vez quaisquer dúvidas sobre a ferocidade da estratégia deste governo no sentido de controlar a maior quantidade possível de órgãos de comunicação social. Eles acham que os jornalistas são todos de esquerda. Esta, sim, pode perfeitamente ser considerada uma monumental cabala contra a liberdade de imprensa e a pluralidade de ideias em Portugal.

Como lembrava Pacheco Pereira (o último cabalista do PSD?) num recente debate, no Porto, os órgãos de comunicação potencialmente 'controláveis' pelo governo não são tão poucos como isso: RTP1, A Dois, RTP Açores, RTP Madeira, RTP Internacional, RTP África, RTPN, Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP Internacional, RDP Madeira, RDP Açores, Agência Lusa, DN, JN, TSF, 24 Horas, Jornal do Fundão, Açoriano Oriental, DN Madeira...

Todos estes meios estão hoje ao alcance de gente manifestamente perigosa, perigosa porque tem a noção exacta do que está a fazer com o poder que tem e não tem vergonha na cara. Gente para quem a manutenção no poder é prioridade suprema, custe o que custar ao país, às liberdades e aos cidadãos.

A «jardinização» do continente prossegue com a alegria de uma marcha fúnebre, à qual assistimos impotentes.

setembro 17, 2004

Cá se fazem, cá se pagam

A 16 de Julho passado, pouco depois de Santana Lopes ter escolhido as vedetas do seu governo, o Travessias, não sem uma pontinha de malandrice, perguntava: «E o Luís Delgado, dr. Santana? O tachinho para o Luís Delgado? Vossa Excelência esqueceu-se?»

Como se pode ver pelas notícias desta semana, Santana não se esqueceu, não senhor. Apenas dois meses depois, Luís Delgado, homem assumido de direita, mimoseado por alguns com o epíteto de "talibã de direita", tal a radicalidade benévola com que defende Bush, a invasão do Iraque, os governos e as políticas de direita, e, mais recentemente, a própria figura de Santana, é o novíssimo presidente-executivo da Lusomundo Media, substituindo no cargo Henrique Granadeiro, que diz sair «desgostoso e com mágoa». Leia-se, sai empurrado, a contragosto. É de esperar que ninguém nos venha explicar porquê. Certo?

Bom, concedamos, ainda assim, à Lusomundo o benefício da dúvida. Partamos do pio princípio de que a nomeação de Delgado é por pura competência profissional do mesmo e não por conveniência política de quem está no governo. Mas basta olhar para a nova composição do Conselho de Administração para se perder qualquer ilusão quanto à independência política deste importante grupo de comunicação social, que detém títulos como o JN, DN e TSF, entre outros: estão lá dois ex-ministros de Cavaco Silva (João de Deus Pinheiro e Silva Peneda). Estas duas figuras gradas do PSD devem perceber tanto de comunicação social em geral e de jornalismo em particular como eu percebo de física quântica. Mas, pronto, em terra de cegos basta saber "gerir" a coisa.

Este tipo de "mudanças estratégicas" em grupos de comunicação social que concentram tantos media influentes no país deveriam preocupar todos aqueles que se preocupam com o bom, e verdadeiramente livre, funcionamento de um dos pilares fundamentais das sociedades democráticas, isto é, a própria comunicação social. Mas não. Parece tudo meio anestesiado. Para os partidos políticos da oposição, a Alta Autoridade para a Comunicação Social (ainda existe?), os órgãos representantivos dos jornalistas, os próprios jornalistas, os cidadãos, está tudo bem. Deixa andar. Arons de Carvalho lá protestou sem grandes ondas. Artur Santos Silva mostrou-se muito chateado com a saída de Granadeiro. E pouco mais.

Mas também de um país que tem Santana Lopes como primeiro-ministro e Portas como ministro (por amor de Deus!), que se pode esperar? Milagres?

Ligações:
Santos Silva contesta decisão da Lusomundo
PS contra Luís Delgado na Lusomundo Media