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abril 23, 2009

Tempo, silêncio, paciência. Um livro.

«O que nos faz falta é paciência e silêncio; o que nos faz falta é pura e simplesmente tempo, o que também quer dizer aborrecimento. George Steiner di-lo com toda a clareza: qual será o efeito desta realidade na leitura, na função dos livros tais como os conhecemos e amámos? É já possível constatá-lo no efeito de exotismo cada vez mais estranho suscitado pelo acto silencioso da leitura, o espanto provocado pela decisão de fulano de tal ficar fechado em casa durante três dias para escrever.»

Michel Crépu, in O Silêncio dos Livros

julho 31, 2008

O Silêncio dos Livros

O ensaio O Silêncio dos Livros, de George Steiner, começa com uma advertência:

«Temos tendência a esquecer que, por serem altamente vulneráveis, os livros podem ser suprimidos ou destruídos.»

Pelo meio, esta verdadeira declaração de amor aos livros e à leitura faz-nos parar várias vezes para saborear uma releitura:

«Um dos requisitos fundamentais (para a leitura) é, também, o silêncio. À medida que a civilização urbana e industrial foi prevalecendo, o nível de ruído conheceu um aumento exponencial, estando hoje próximo da loucura.»

«Ou, como sussurrava Borges: "A censura é mãe da metáfora". Quando o aparelho de repressão cede aos valores veiculados pelos mass media ou ao matraquear da publicidade, como acontece hoje em dia na Europa ocidental, assistimos ao triunfo da mediocridade.»

Steiner fecha em grande, interrogando-se:

«Enquanto professor, alguém para quem a literatura, a filosofia, a música ou as artes são a verdadeira substância da vida, como poderei eu exprimir a necessidade que sinto de uma lucidez moral, consciente das necessidades humanas e da injustiça que torna possível uma cultura a tal ponto elevada? As torres que nos isolam são mais sólidas que o marfim. Não sei de resposta satisfatória para este problema.
Contudo, temos de encontrar uma resposta. Temos de a encontrar, se quisermos ser merecedores do privilégio desta nossa paixão, do milagre sempre renovado de segurar nas mãos um novo livro.»

O Silêncio dos Livros, George Steiner

julho 31, 2006

Inclinação para o massacre

O recente desvario facínora de Israel no Líbano fez-me recordar e reler uma passagem do livro A Ideia de Europa, de George Steiner:

«Somos bípedes capazes de sadismo indizível, ferocidade territorial, ganância, vulgaridade e todo o tipo de torpeza. A nossa inclinação para o massacre, para a superstição, para o materialismo e o egotismo carnívoro pouco se alterou durante a breve história da nossa estada na Terra.»

junho 20, 2006

O mestre só

«Ensinar sem uma grave apreensão, sem uma reverência perturbada pelos riscos envolvidos, é uma frivolidade. Fazê-lo sem considerar as possíveis consequências individuais e sociais é cegueira. O grande ensino é aquele que desperta dúvidas, que encoraja a dissidência, que prepara o aluno para a partida («Agora deixa-me», ordena Zaratustra). No final, um verdadeiro Mestre deve estar só.»

George Steiner, As Lições dos Mestres

maio 01, 2006

Steiner e o anti-ensino

«Em termos estatísticos, o anti-ensino constitui praticamente a norma. Os bons professores - os que alimentam a chama nascente na alma do aluno - são talvez mais raros do que os músicos virtuosos ou os sábios.»

George Steiner, As Lições dos Mestres