Mostrar mensagens com a etiqueta Gilles Lipovetsky. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gilles Lipovetsky. Mostrar todas as mensagens

dezembro 13, 2007

O regresso de Lipovetsky (II)

«Vive-se uma era em que todas as esferas da vida social e individual se encontram, de uma forma ou de outra, reorganizadas segundo os princípios da ordem consumista.»

«Na sociedade de hiperconsumo, até a espiritualidade se compra e vende. Se é verdade que a reemergência pós-moderna do religioso exprime um certo desencanto face ao materialismo da vida quotidiana, verifica-se também que o fenómeno é cada vez menos alheio à lógica comercial. A espiritualidade tornou-se mercado de massas, produto a comercializar, sector a gerir e a promover.»

«Adivinha-se no horizonte, não a aniquilação dos valores e sentimentos, mas, num cenário mais prosaico, a desregulação das existências, a vida sem protecção, a fragilização dos indivíduos. A sociedade do hiperconsumo é contemporânea da espiral de ansiedade, das depressões, das carências ao nível do amor-próprio, da dificuldade em viver.»

novembro 12, 2007

O regresso de Lipovestky

Certos autores são como velhos amigos: a garantia de um prazer renovado a cada novo encontro. Lipovestky é um deles. O ensaio A Felicidade Paradoxal chegou-nos há pouco:

«Numa sociedade em que a melhoria contínua das condições de vida materiais praticamente ascendeu ao estatuto de religião, viver melhor tornou-se uma paixão colectiva, o objectivo supremo das sociedades democráticas, um ideal nunca por demais exaltado.

Entrámos assim numa nova fase do capitalismo: a sociedade do hiperconsumo. Eis que nasce um terceiro tipo de Homo consumericus, voraz, móvel, flexível, liberto da antiga culturas de classe, imprevisível nos seus gostos e nas suas compras e sedento de experiências emocionais e de (mais) bem-estar, de marcas, de autenticidade, de imediatidade, de comunicação.

Tudo se passa como se, doravante, o consumo funcionasse como um império sem tempos mortos cujos contornos são infinitos. Mas estes prazeres privados originam uma felicidade paradoxal: nunca o indivíduo contemporâneo atingiu um tal grau de abandono.» (Edições 70).

junho 04, 2007

Lipovestsky e a felicidade

Algumas ideias, em formato de citação, a reter do texto publicado no último sábado, no Público, a propósito de uma conferência de Gilles Lipovestsky em Lisboa. Sobre a "busca da felicidade":

«Hoje em dia, somos livres de escolher as nossas actividades de lazer, mas estamos cada vez mais sob o império da oferta comercial. Somos livres ao nível dos pormenores, mas o mercado ganhou um poder sem precedentes na vida de cada um e sobre a maneira de concebermos a felicidade em termos de dia-a-dia. Neste dilúvio de convites a desfrutar da vida, a distância entre a felicidade que nos é prometida e o real, o quotidiano, é cada vez maior. E essa glorificação da felicidade provoca problemas existenciais.»

«Abandonado a si próprio, numa sociedade hiper-individualista, o indivíduo hiper-moderno é frágil.»

«Mas só uma outra paixão poderá permitir reduzir a paixão consumista; temos de inventar uma pedagogia, uma política das paixões, capaz de mobilizar os afectos fora do consumível, da compra: no trabalho, no desejo, na criação, na arte. Temos de criar uma ecologia mais equilibrada da existência.»

«A felicidade foge obstinadamente ao controlo humano. É ilusório pensar que podemos construir a felicidade.»


P.S. post escrito ao som de Snow Abides, de Michael Cashmore.

novembro 24, 2006

Lipovetsky: o indivíduo hipermoderno

Cada novo livro de Gilles Lipovetsky, autor do célebre A Era do Vazio, é uma tentação. O último acaba de ser publicado em Espanha, com o título Los Tiempos Hipermodernos.

Sinopse, também ela tentadora: «O "pós-moderno" chegou ao seu fim: passamos para a era "hipermoderna". Esta época caracteriza-se pelo hiperconsumo e o indivíduo hipermoderno: o hiperconsumo absorve e integra cada vez mais esferas da vida social e estimula o indivíduo a consumir para sua satisfação pessoal; o indivíduo hipermoderno, ainda que orientado para o hedonismo, sente a tensão que resulta de viver num mundo que se dissociou da tradição e enfrenta um futuro incerto. Os indivíduos estão corroídos pela angústia, o medo sobrepôs-se aos seus prazeres e a ansiedade à sua libertação.»

Esperemos qua alguma editora portuguesa esteja já a trabalhar no sentido de traduzir esta obra para português.

maio 20, 2004

Lipovetsky: média e lucro

«Sendo o objectivo a venda do maior volume de informação possível, os media privilegiam, naturalmente, os 'grandes títulos', os efeitos de choque, o inaudito, a encenação emocional. Quem pode imaginar que esta lógica de mercado possa alguma vez ser detida por nobres declarações? Será possível acreditar, por um só instante, que códigos e outros magistérios éticos sejam capazes de deter os furos jornalísticos, o espectáculo, a emoção, a simplificação, a aceleração do ritmo das notícias? Tudo isto continuará, o negócio obriga a que assim seja.»

Gilles Lipovetsky, O Crepúsculo do Dever.