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outubro 14, 2007

Robert Wyatt, como se fosse um pintor

Robert Wyatt, o inglês com «a voz mais triste do mundo» (Sakamoto dixit), em entrevista ao Público, sexta-feira passada, suplemento Ípsilon:

«No fim de contas, criar uma canção, para mim, é como seguir uma montanha de sons e tentar completar uma composição com eles, quase como se fosse um pintor e, no final, esperar pacientemente que tudo funcione da melhor forma.»

abril 04, 2006

De ouvido: Wyatt, duas décadas depois

Andava à procura deste álbum, sem exagero, há quase duas décadas. Tinha de ser em vinil, o formato em que o passava na rádio lá da terra.

Encontrei-o, sem um risco sequer, na Louie Louie, ali na ondulante (o piso de paralelo é mesmo às ondas e covas) e mui portuense Rua do Almada, onde se misturam prédios a cair de podre, lojas de ferragens, artigos de borracha, candeeiros, fechaduras, pequenas oficinas, artesanato africano, discos de vinil para coleccionadores ou DJ's, roupas sixtie, outras com ar sado-maso e por aí adiante.

Pousada a agulha naquela mágica superfície preta aos risquinhos e pronto, o bom velho Old Rottenhat já cá cantava.

A (minha) geração que se ficou pelos Duran Duran certamente não saberá quem é este Robert Wyatt, que canta com uma voz magnífica em falsete. Em bom inglês, questionava, muito antes de Timor-Leste virar moda:

"Timor
East Timor
Who's your fancy friend, Indonesia?
What did Gillespie do to help you?"


Vinte anos depois, Old Rottenhat continua único na sua aparente candura, fresco na sua abordagem melódica e... tem uma capa lindíssima.