
Miles Davis fotografado por Irving Penn para o álbum Tutu (1986).
«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra.» George Steiner
Esta noite - chove bastante lá fora - bateram-me à porta do ouvido. Fui ver quem lá vinha. Era um velho grupo de amigos. Com um ar meio dos anos cinquenta, Miles, Coltrane e Evans perguntaram se podiam entrar e tocar um Kind of Blue, soprado de mansinho, no meu gira-discos. Oh, meus caros, e isso é pergunta que se faça?
A vida de Miles Davis não dava um filme: foi um filme. O génio, o mau feitio, o quebrar constante de convenções, na vida e no jazz, as relações difíceis com as mulheres e com alguns filhos, a busca permanente do novo, as drogas, os Ferrari, a pintura, as doenças, o horror ao racismo que sofreu na pele no seu próprio país por ser negro. Miles atravessou muitas décadas. Viveu sempre depressa, mas não morreu novo, ao contrário de Jimi Hendrix, de quem um dia ficou admirador.São muitos os músicos que Miles lançou para o estrelato. Alguns deles (Chick Corea, Dave Holland, Herbie Hancock, Marcus Miller, entre muitos outros), aparecem neste documentário, da autoria de Mike Dibb, evocando a fascinante figura de «black bird».
«The Miles Davis Story» é também para quem não gosta de jazz.