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julho 13, 2007

Laurie Anderson na minha pátria

Laurie Anderson é uma sessentona fascinante, única, inimitável. Artista visual, compositora, poeta, fotógrafa, realizadora, perita em electrónica, vocalista e instrumentista, experimentalista, excelente contadora de histórias, dona de um sentido de humor irresistível e de um sorriso adoravelmente matreiro, esta nova-iorquina anda há quase trinta anos a explorar os caminhos da tecnologia na criação musical. Excertos do álbum, belíssimo, Life on a String:

O seu primeiro álbum, Big Science (1982), faz agora 25 anos e, por isso, acaba de ser lançada uma edição comemorativa. Trata-se de um álbum intemporal. Tem um quarto de século como podia ter 25 dias. É de lá que sai este clássico absoluto, O Superman:

Hoje à noite, Laurie leva ao Theatro Circo, Braga, o espectáculo Homeland, título do seu próximo álbum. Algures entre um poema épico, uma peça e um concerto multimédia, Homeland fala «da cultura dos automóveis todo-o-terreno, dos bloggers, da solidão e da vigilância através de circuitos de televisão, usando as linguagens sintéticas da tecnologia e a linguagem sensual da escrita de canções e da poesia para olhar para os reality shows, o totalitarismo de estilo americano, o sentimentalismo, as imagens fugazes do império.»

Adivinhem quem não vai faltar.

fevereiro 06, 2007

Laurie Anderson, até que enfim!

Ouço Laurie Anderson há quase duas décadas. Nunca, em todos estes anos, pude ver nas nossas queridas televisões, públicas ou privadas, generalistas ou temáticas, grandes ou pequenas, boas e más, por cabo ou sem cabo, um único vídeo desta cantora (talvez seja redutor chamar-lhe só cantora...) pouco "popular".

Foi preciso chegar o YouTube para acabar com este jejum videográfico imposto pelos ecrãs feitos à medidas das massas. É um pouco como imaginar um iraniano a quem, de repente, puseram uma antena parabólica gratuita e legal no telhado com um milhão de canais à escolha.

O Superman é um dos temas mais conhecidos do primeiro álbum de Anderson, Big Science, de 1982, longe ainda dos tons mais melódicos de trabalhos mais recentes, como Strange Angels (belíssimo) ou Life on a String. Anderson voltará ao "MyTube" aqui no Travessias.

fevereiro 07, 2006

Liberdades II



«Freedom is a scary thing /
Not many people really want it
»

maio 09, 2005

Laurie é do outro mundo...

O espectáculo (concerto? performance?) de Laurie Anderson no Teatro Nacional São João, no Porto, foi uma verdadeira festa, não apenas para os ouvidos, mas em todos os sentidos. Ela entrou em palco vestida de negro. Ninguém bateu palmas. Sentou-se numa poltrona rodeada por um chão coberto de velas e começou a contar as suas histórias.

Laurie é uma espécie de extra-terrestre no panorama musical contemporâneo. Mistura, alegre e irreverentemente, linguagens diversas, dando-lhes uma roupagem nova e inesperada, por vezes recorrendo a uma interessante panóplia de sintetizadores e computadores. Ela própria diz gostar de experimentar. E tem-no feito, sempre, desde o seu primeiro álbum, Big Science.

Ao Porto, trouxe-nos, para além do imenso talento e presença magnética em palco, uma vintena de histórias sobre "o fim da Lua", a partir da experiência de ter sido, durante algum tempo, artista-residente na NASA. O tom do concerto, com histórias faladas e música de violino sintetizado pelo meio, lembra um dos mais curiosos discos dela, The Ugly One With the Jewels, de 1995.

Mas nem só do lado escuro da Lua, dos astronautas, do tempo, das estrelas, de Marte falou (cantou?) esta nova-iorquina muito especial. Pelo meio das histórias surgia o espectro dos ataques às torres gémeas, o medo face ao perigo "que chega de cima", a paranóia securitária. Aparecia também o amor, a desilusão, a incomunicação, a luz, o absurdo, a sua estimada cadela Lolabelle, os pequenos nadas de todos os dias. Nadas? Só mesmo ela para dar, aparentemente sem sentido, um sentido a coisas tão diferentes.

Laurie Anderson é do outro mundo.