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julho 18, 2008

O spleen de Marianne Faithfull

A beleza de Sleep é directamente proporcional ao grau de spleen que provoca. Não terá sido por acaso que Patrice Chéreau escolheu este tema, retirado do álbum A Secret Life, para o epílogo de Son frère, um filme duro, em que a iminência da morte por doença leva a personagem principal, Thomas, a reflectir sobre a própria existência.

Mas, bem ouvidas as coisas, dureza, na voz, nas palavras, nos rasgos emocionais, bem que podia ser o nome do meio de Marianne Faithfull. É ouvir o álbum Broken English para se perceber porquê. Quem aguentar o embate, nunca mais a larga.

Só depois de deve passar por este discreto A Secret Life, em que Angelo Badalamenti (conhecido pela banda sonora de Twin Peaks, a famosa série de David Lynch) toma conta das orquestrações.

A Secret Life começa com Marianne a declamar Dante. Fecha com Shakespeare. E está muito bem assim.

outubro 05, 2004

De olhares: Margot num flash

Por vezes, o bom cinema francês, remetido pelo circuito comercial dos multiplex à clandestinidade, chega-nos às mãos por vias travessas. Veja-se o caso de A Rainha Margot, de Patrice Chereau. Até há bem pouco tempo, não havia edição portuguesa em DVD desta muito bem contada história de Marguerite de Valois, irmã do rei Carlos I.


Pois bem, não foi sem grande surpresa que, ao passar por um quiosque de uma rua do Porto, deparo com a bela Adjani, ícone deste filme, encimada por uma tarja vermelha a dizer "flash!". Flash!? Verdadeiramente flashante é descobrir que "flash!" é nome de uma revista, daquelas que traz na capa Fernanda Serrano fotografada à noite a sair de um hotel. A Fnac precisa de aprender umas coisas com esta gente, que me pôs o DVD nas mãos por 8 euros. Um preço justo. A gente assim não se sente roubada, né?

Posto isto, é muito mau sintoma que uma obra do calibre de A Rainha Margot chegue ao mercado de vídeo por via de uma revista oca. Nesta, como em muitas matérias (cada vez mais, quase todas), o dinheiro fala mais alto. Os escaparates das Fnac e das Worten estão esmagados por oferta hollywoodesca, o que nos deixa, a nós, sem grandes hipóteses de escolha.

A história de Margot começa em 1572. Deve ser por isso.