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setembro 02, 2005

Iraque, o desastre

O Iraque é notícia quase todos os dias pelas piores razões possíveis. Há sempre morte, sangue e caos para relatar. Chegados a esta altura, já toda a gente percebeu, excepto Bush e os seus obtusos neocons, que os EUA estão atolados numa grandessíssima trapalhada, ainda por cima mais cara, em termos financeiros, que o terrível Vietname. Como conseguiu esta administração norte-americana ser tão cega? Ou, mais prosaicamente, tão burra? Como cometeu semelhantes erros de cálculo? Por que mentiu tão descarada e empoladamente ao mundo? Numa pergunta: porquê?

Para se perceber como se chegou a este desastre total, que os mais avisados antecipavam antes mesmo da invasão, ilegal, do Iraque, a leitura do livro Iraque: História de um Desastre, de Ignacio Ramonet, é de leitura obrigatória.

Com a clareza e acutilância do costume, o director do Monde Diplomatique vai ao fundo dos interesses, quase sempre obscuros ou descaradamente oportunistas, daqueles que fizeram a cabecinha do presidente norte-americano: Cheney, Rumsfeld, Wolfowitz e outras tantas figuras sinistras que não aprenderam nada com a história e fomentaram o delírio militarista na Mesopotâmia.

«Está longe o tempo em que os "falcões" do Pentágono anunciavam que as forças de invasão seriam recebidas como libertadoras... Mas este colossal erro de análise está na origem da actual desordem. Embriagados de poder, os ideólogos de Washington tinham pressa em usar a terrível máquina de guerra norte-americana para realizarem o seu sonho delirante de "redesenhar o Médio Oriente". Tudo se volta agora contra eles.»

Leitura incontornável para quem não queira andar em manada, portanto.

agosto 18, 2005

De 1945 ao Iraque

«Apoiar ditadores, vê-los tomar o poder depois de terem derrubado experiências democráticas - a partir de 1945, as administrações norte-americanas fizeram isso muitas vezes. Ajudaram, financiaram, armaram, protegeram dezenas de ditadores e de autocratas em todo o mundo, como por exemplo, o general Franco em Espanha, Salazar em Portugal, o coronéis na Grécia, o general Gemal Gursel na Tunísia, o rei Hussein na Jordânia, rei Hassan II em Marrocos, a dinastia Saud na Arábia Saudita, o general Mubarak no Egipto, o general Zia ul-Haq no Paquistão, o general Chang Kai-Chek em Taiwan, o general Park Chung Hee na Coreia do Sul, Marcos nas Filipinas, o general Suharto na Indonésia, o xá Pahlavi no Irão, Somoza na Nicarágua, Batista em Cuba, Duvalier no Haiti, Trujilo em São DOmingos, Pinochet no Chile, Mobutu no Congo-Zaire, Idi Amin Dada no Uganda, o regime do apartheid na África do Sul, etc.»

Ignacio Ramonet em Iraque: História de um Desastre.

junho 12, 2004

O polvo publicitário

«Ninguém deve esquecer que a publicidade se prende com a primordial e mais temível das artes: a manipulação dos seres humanos.»

Ignacio Ramonet, O Novo Rosto do Mundo.