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março 04, 2004

Na morte de Boorstin

O jornalismo habitua-nos a lidar com más notícias todos os dias. Aliás, boa parte do quotidiano jornalístico é mergulhado na atmosfera pesada das más notícias. Mas há umas mais más do que outras. Morreu o historiador Daniel Boorstin.

Há autores com quem passamos tantas noites, noite adentro, página após página, 100, 200, 400, que, de certa forma, eles se tornam cá de casa. A morte de Boorstin apanha-me quase no final da leitura do seu colossal Os Descobridores. A nossa concepção do mundo e do homem muda muito depois de passarmos por esta montanha de saber compilada em papel. O velho historiador era também um belo contador da história e das histórias da Humanidade, do nosso longo e sinuoso percurso.

Outra obra marcante dele, imperdível, é Os Pensadores, ou a história da constante busca do homem para compreender o seu mundo, com incidência nos filósofos.

Boorstin deixa uma obra monumental. Terá enriquecido a cabeça de muita gente por esse planeta fora. Mas a sua morte não fará, certamente, notícia no telejornal.

Na notícia sobre a morte de Boorstin, o Monde recorda uma bela frase do autor: «O maior obstáculo à descoberta não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento.»

janeiro 29, 2004

Bagdad, 793

«O papel, o sine qua non da imprensa moderna, como vimos, chegou à Europa através dos Árabes. Fabricado em Bagdad em 793, no reino do califa Harun al-Rashid, celebrizado pelas Mil e Uma Noites, chegaria depois, através da Espanha árabe, à Itália, à França e à Alemanha, no século XIV.»

Daniel J. Boorstin, em Os Descobridores.