© Helder Bastos
Estorãos, 2009
Estorãos, 2009
«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra.» George Steiner
Wim Mertens esteve duas horas sozinho, ao piano, no palco do belo Theatro Circo, em Braga. Na plateia, tirando um ou outro dorminhoco do costume, os fãs do músico belga não regateavam aplausos entusiásticos no final de cada tema. Eram poucos, mas verdadeiros apreciadores, os que lá estiveram no sábado passado.
«Já não podemos fugir um do outro». Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville no filme Depois da Reconciliação, de Anne-Marie Miéville.
Cru e terno. Desgrenhado ou melancólico. Sozinho, em palco, a cantar e a tocar para uma audiência que, notoriamente, já estava conquistada à partida. Uma partida com várias décadas e com origem provável nos Velvet Underground.
Greenaway: todos os filmes, exceptuando os que não têm nada para mostrar além do óbvio, deviam ter como extra uma aula sobre o próprio filme. É isso mesmo que Peter Greenaway faz em O Contrato, uma das suas primeiras longas-metragens. O realizador passa em revista momentos-chave da narrativa e desvenda-nos, como se estivesse a descascar por camadas uma cebola, significados imperceptíveis durante um primeiro visionamento.
Um dos meus maiores desgostos enquanto melómano é nunca ter tido a oportunidade de assistir a um concerto do Frank Zappa, músico inclassificável (no bom sentido, claro) e que os deuses (quem terão sido os diabos?) resolveram retirar de cena muito antes do tempo.