«Já não podemos fugir um do outro». Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville no filme Depois da Reconciliação, de Anne-Marie Miéville.abril 03, 2009
Fotograma: Godard e Miéville
«Já não podemos fugir um do outro». Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville no filme Depois da Reconciliação, de Anne-Marie Miéville.
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abril 01, 2009
março 30, 2009
Fragmentos do John Cale
Cru e terno. Desgrenhado ou melancólico. Sozinho, em palco, a cantar e a tocar para uma audiência que, notoriamente, já estava conquistada à partida. Uma partida com várias décadas e com origem provável nos Velvet Underground.Os temas ao piano dominam o concerto que Cale deu no Palais des Beaux-Arts, em Bruxelas, em 1992, e que ficou registado no DVD Fragments of a Rainy Season (belíssimo título).
São 16 temas, fragmentos de várias idades e álbuns, entre os quais a incontornável obra-prima Music for a New Society. Deste, Cale oferece-nos um tema tocante, Chinese Envoy, e uma pequena pérola: (I Keep A) Close Watch.
No fecho do concerto, o músico fez (diz ele) uma experiência: pôs-se a cantar o Hallelujah, do Leonard Cohen. Como seria de esperar, deu certo.
março 15, 2009
março 13, 2009
março 10, 2009
O que o Tom faz é isto

«O que eu faço é só, só isto: tentar escrever sobre o que observo. Sou um pouco como um detective. Também não me falta compaixão pela condição humana. Procuro conferir uma certa dignidade a todas as situações que descrevo e às pessoas sobre quem escrevo. Mas, frequentemente, a inspiração para uma canção não tem nada a ver com o que eu descrevo nela. As histórias não são mais do que uma metáfora para qualquer coisa de que quero falar. Sou um 'songwriter', não um jornalista. Cito imensos locais e nomes mas, geralmente, são apenas metáforas para algo de diferente.»
«A música pop é o dinheiro e a música a dormirem juntos na mesma cama.»
In Nocturnos
fevereiro 27, 2009
fevereiro 24, 2009
Apontamentos sobre cinema
Greenaway: todos os filmes, exceptuando os que não têm nada para mostrar além do óbvio, deviam ter como extra uma aula sobre o próprio filme. É isso mesmo que Peter Greenaway faz em O Contrato, uma das suas primeiras longas-metragens. O realizador passa em revista momentos-chave da narrativa e desvenda-nos, como se estivesse a descascar por camadas uma cebola, significados imperceptíveis durante um primeiro visionamento.Fellini: Ginger e Fred é um libelo enternecedor contra a televisão e o que ela produz, com requintada imbecilidade, de pior. "Car-nei-ros" é o que Fred (um Mastroianni maduríssimo na interpretação) queria gritar durante o directo de um daqueles talk shows arrepiantes que a TV vomita. O resto é Fellini. Obrigatório. Sempre.
Oscares: passo.
Denis: primeiro chamamento: Trouble Every Day tem música dos Tindersticks. Alguma desilusão: o filme não está à altura da banda sonora.
Jarmusch: o capitalismo desenfreado tem destes milagres: já se pode comprar o Homem Morto por pouco menos de 2 euros num quiosque. Com direito a Neil Young e tudo.
Coppola: também veio por tuta-e-meia, graças ao Público. Quem apreciou o grande Apocalipse Now estranhará a complexidade, a densidade, a multidimensionalidade, o ambiente quase teatral e algo esquizofrénico de Uma Segunda Juventude. Óptimo. O filme saiu do bolso do próprio realizador e isso nota-se. Fez o filme que quis. Estão lá os grandes temas, baseados num conto de Mircea Eliade: a decadência, a morte, o amor, o sexo, o tempo e o que dele fazemos, o bem, o mal, a consciência. Pode ser um filme complicado para crises de meia-idade.
Benigni: quando a vida ameaça tornar-se um caso muito sério, há pelo menos três realizadores a quem recorrer em vez de ir ao psiquiatra: Woody Allen, Nanni Moretti e Roberto Benigni. Deste, para descontrair, pode-se começar pelo hilariante Johnny Palito. O título é cómico, mas o tema é sério. Benigni interpreta duas personagens: um ingénuo e um mafioso. O filme é inteligente: mostra-nos que em Palermo se pode matar por uma banana.
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fevereiro 20, 2009
fevereiro 03, 2009
Zappa in Barcelona
Um dos meus maiores desgostos enquanto melómano é nunca ter tido a oportunidade de assistir a um concerto do Frank Zappa, músico inclassificável (no bom sentido, claro) e que os deuses (quem terão sido os diabos?) resolveram retirar de cena muito antes do tempo.Em palco, Zappa era grande, corrosivo, concentrado, descontraído, exigente e desconcertante. E maestro, com batuta e tudo. Se houver dúvidas, veja-se o DVD Zappa in Barcelona, que apareceu por aí no mercado há não muito tempo.
Trata-se de uma gravação da TVE, feita em 1988, que não prima, nem pela qualidade do som, nem pela da imagem. No entanto, é um registo magnífico que nos mostra como eram os concertos do músico norte-americano, nos quais não faltavam nunca tiradas humorísticas, regadas a ironia e sarcasmo, e peças de roupa interior feminina atiradas para o palco.
Zappa faz-se acompanhar aqui de alguns músicos fundamentais que gravaram com ele, sobretudo nos anos 80 (com as vozes de Ike Willis e Mike Keneally à cabeça), mas aposta num reforço assinalável nos metais e na percussão electrónica.
Com uma dúzia de músicos em palco, Zappa brinda-nos com um profissionalismo a toda a prova na exploração das suas difíceis variações musicais, em que se nota o dedo do seu grande inspirador, Edgard Varèse. Destaque para uma versão de 18 minutos do clássico The torture never stops, do álbum Zoot Allures, e para um Bolero, de Ravel, irresistível.
fevereiro 01, 2009
janeiro 23, 2009
janeiro 14, 2009
Um clique, um amigo?
Montaigne, conta-nos Botton, acreditava que a amizade era de tal modo rara que só ocorria uma vez de 300 em 300 anos. A amizade em que o escritor francês, do século XVI, acreditava não tinha nada em comum com as «tépidas alianças» frequentemente classificadas com esse termo.
Se o autor dos célebres Ensaios fosse vivo, cairia hoje mesmo para o lado de espanto com a facilidade com que, do Hi5 ao Facebook, se consegue fazer 30 amigos por minuto. Os friends são às centenas por cabeça. Fazem-se amigos que nunca se viram na vida. Coleccionam-se como quem amontoa moedas, selos ou carrinhos de brincar. Amigo-instantâneo, amizade-flash. Os amigos não se fazem, adicionam-se. Um clique, um amigo. Já está.
A palavra amigo vulgarizou-se ao extremo e o valor facial da amizade esfumou-se. O que dá ainda mais força e perenidade àquilo em que Montaigne acreditava:
«Aquilo a que normalmente chamamos amigos e amizades não passam de conhecimentos e relações familiares em que se verifica uma ligação por um tipo qualquer de conveniência, que permite que as nossas almas se suportem uma à outra. Na amizade de que estou a falar as almas estão misturadas e confundidas numa ligação tão universal que apagam a união que as junta, não sendo possível encontrá-la.»
A palavra amigo vulgarizou-se ao extremo e o valor facial da amizade esfumou-se. O que dá ainda mais força e perenidade àquilo em que Montaigne acreditava:
«Aquilo a que normalmente chamamos amigos e amizades não passam de conhecimentos e relações familiares em que se verifica uma ligação por um tipo qualquer de conveniência, que permite que as nossas almas se suportem uma à outra. Na amizade de que estou a falar as almas estão misturadas e confundidas numa ligação tão universal que apagam a união que as junta, não sendo possível encontrá-la.»
janeiro 06, 2009
dezembro 31, 2008
Discos: um top de banda larga
Deram entrada na discoteca cá de casa em 2008, em vinil ou CD, e andaram pelo ano fora em alta rotação. Também no que aos discos diz respeito, a preocupação com lançamentos recentes é quase nula. Insisto: a música não tem idade. Por isso, este "top" começa no século XVII e acaba no XXI. Para puristas de género, daqueles que só ouvem jazz, ou só ouvem clássica, ou só ouvem indie, ou só ouvem metal, ou seja, melómanos de banda estreita, este "top" de banda mais ou menos larga pode revelar-se altamente indigesto.
- King Arthur, de Henry Purcell
- Stabat Mater, de Giovanni Pergolesi
- Bella Terra, de Arianna Savall
- Strictly Genteel, de Frank Zappa
- Flood, de Jocelyn Pook
- Three Viennese Dancers e After the Requiem, de Gavin Bryars
- Lux Aeterna, de Terje Rypdal
- Comic Opera, de Robert Wyatt
- In Praise of Dreams, Jan Garbarek
- After the Poison, de Marianne Faithfull
- Moanin', de Art Blakey
- Somethin' Else, de Cannonball Adderley
- Down to the Bone, de Sylvain Chauveau
- Vrioon, de Alva Noto e Ryuichi Sakamoto
- The Following Morning, de Eberhard Weber
- Songs: The Art of the Trio, Vol. 3, de Brad Mehldau
- Melos, de Vassilis Tsabropoulos
- Electra, Arild Andersen
- The Blue Notebooks, de Max Richter
- Snow Borne Sorrow, de Nine Horses
- Pale Ravine, de Deaf Center
- Tuesday Wonderland, de Esbjörn Svensson Trio

Esbjörn Svensson (1963-2008) Foto: Bernhard Ley
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