outubro 27, 2008

O Mac do Molvær avariou

O concerto de ontem à noite, na Casa da Música, não correu bem ao talentoso Nils Petter Molvær. O Macintosh de serviço resolveu estragar o arranque do espectáculo do trompetista norueguês, a quem faltou depois algum relaxamento na exploração das dinâmicas resultantes do cruzamento do trompete com as ambiências geradas pelo computador.

No entanto, não há que enganar: Molvær é um músico interessantíssimo, arrojado, sem medo de trazer para o jazz (mesmo contra algumas resistências da audiência que se sentiam no ar) aquela mistura mágica de nórdico com experimental, que normalmente deixa os cabelos em pé aos jazzistas mais "puristas", sobretudo aqueles para quem o jazz durou apenas até ao final da década de 60 do século passado.

Por onde começar a ouvir Nils Petter Molvær? Pelo seu primeiro álbum a solo, Khmer. Editado pela ECM, claro.

outubro 17, 2008

Videograma: as manhãs perdidas


Aqui vemos Guillaume Depardieu, falecido há dias, num filme inesquecível, mas triturado pelas regras implacáveis do mercado. Pelo menos por cá, perdeu-se por completo o rasto a Tous les Matins du Monde, de Alain Corneau, que em muito contribuiu para a redescoberta de Sainte-Colombe e de Marin Marais, mestres da viola de gamba do século XVII, um período riquíssimo e belo da história da música.

outubro 10, 2008

Beco de Passos Manuel

© Helder Bastos
Porto, 2008

setembro 28, 2008

Coisas da vida

Em O Significado das Coisas, A.C. Grayling escreve sobre um mundo imenso de assuntos a partir de um ponto de observação filosófico. E fá-lo de modo tão sucinto e bem escrito que ficamos sempre com a sensação de que cada texto sabe a pouco.

A maior parte dos temas tratados por este professor de filosofia (Universidade de Londres) e jornalista literário é eterna: moral, morte, medo, esperança, traição, derrota, amor, ódio, prudência, vingança, castigo, fé, etc..

Através da acumulação da leitura, percebemos que Grayling não tem a mais leve costela conservadora, moralizadora («O homem que moraliza é geralmente um hipócrita», já dizia Oscar Wilde) ou religiosa. Bem pelo contrário. Aliás, os textos em que o autor mostra mais claramente o que pensa, sem rodeios, são sobre religião:

«Mas a moral religiosa não é apenas irrelevante, é também antimoral. As grandes questões morais do nosso tempo dizem respeito aos direitos humanos, à guerra, à pobreza, às grandes diferenças entre ricos e pobres, ao facto de algures no terceiro mundo uma criança morrer em cada dois segundos e meio devido à fome ou a uma doença curável. As obsessões das igrejas acerca das relações sexuais anteiores ao casamento e da possibilidade ou não de os casais divorciados se poderem casar de novo surge como desprezível à luz desta montanha de sofrimento e carência humanos.»

«Mas a religião não é apenas antimoral: consegue frequentemente ser imoral. Noutros pontos do mundo há fundamentalistas e fanáticos religiosos a encarcerar mulheres, a mutilar órgãos genitais, a amputar mãos, a assassinar e a espalhar bombas e terror em nome das suas fés.»

Quando escreve sobre o ensino, Grayling tem algumas tiradas brilhantes. Lembrando, na esteira dos gregos antigos, que «só os cultos são livres», dá algumas alfinetadas naqueles que do ensino têm uma visão utilitarista e tecnocrática, hoje, lamentavelmente, muito em voga um pouco por todo o lado:

«O ensino - e, em especial, o «ensino liberal» - é aquilo que torna possível a sociedade civil. Isto significa que possui uma importância ainda maior do que a sua contribuição para o êxito económico, que, infelizmente, é apenas para que os políticos pensam que serve.»

Ou ainda:

«Aristóteles afirmou que nos cultivávamos para conseguirmos dar uma utilização nobre ao nosso lazer - esta é uma perspectiva completamente oposta à convicção contemporânea de que nos cultivamos para conseguir um emprego.»

O Significado das Coisas é um livrinho precioso. Óptimo para saborear aos poucos e entremear com leituras mais densas.

Não aconselhável a quem nunca tem dúvidas e raramente se engana.

setembro 22, 2008

O clássico fala por si

Como Italo Calvino acerta em cheio, logo a abrir o seu Porquê ler os Clássicos:

«A escola e a universidade deveriam servir para fazer compreender que nenhum livro que fala de outro livro diz mais que este; aliás, fazem tudo para crer o contrário. Há uma inversão de valores muito difundida pela qual a introdução, o aparato crítico e a bibliografia são usados como uma cortina de fumo para ocultar o que tem a dizer o texto e que só pode dizê-lo se o deixarem falar sem intermediários que pretendam saber mais que ele. Podemos concluir que: Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma vaga de discursos críticos sobre si, mas que continuamente se livra deles.»

Quantos «livros que falam de outros livros» não terão assassinado a vontade de ler os originais...

setembro 18, 2008

Björk+Antony

«September 15th 2008: Björk's new video for "Dull Flame of Desire" with Antony (...). Björk and Antony performed against green screen in New York. The Innocence video project runners-up Christoph Jantos (Berlin) Masahiro Mogari (Tokyo) and Marçal Cuberta Junca (Girona) were each given their own sections of the film, to develop how they wished.»

setembro 10, 2008

A ansiedade do estatuto

Eis um livro que muitas pessoas que se acham importantes deviam ler, mas não lêem porque são demasiado importantes para isso.

Em Status Ansiedade, Alain de Botton escreve sobre as angústias dos indivíduos, de hoje e do passado, com a posição que ocupam na sociedade. A nossa importância aos olhos dos outros, ou seja, o nosso estatuto, sempre foi motivo de preocupação ao longo da história.

O autor define a angústia do Status como «a preocupação, perniciosa a ponto de arruinar boa parte das nossas vidas, com o risco de não conseguirmos conformar-nos aos ideiais de sucesso instituídos pela sociedade envolvente e de podermos, por conseguinte, ser despojados da nossa dignidade e respeito.» Enfim, a preocupação de sermos uns "falhados".

Esta angústia possui uma «extraordinária capacidade de inspirar sentimentos pesarosos.» Em parte, porque as pessoas acham sempre que não têm dinheiro, fama ou influência suficientes. E isto, diria eu, explicaria o facto de muito boa gente se matar (quase literalmente) a trabalhar, a bajular, a aldrabar e a obedecer cegamente para "subir na vida".

Como amante da filosofia que é, Botton relativiza a importância que tanta gente dá ao seu próprio Status, que muitas vezes é conseguido pela mera ostentação de bens materiais. Bem vistas as coisas, o estatuto é algo de efémero, varia consoante as épocas e as sociedades e nem sequer é algo que inspire o amor ou a amizade verdadeiros, como Dostoievski demonstrou à saciedade.

Citando Epicteto: «Não é a minha posição na sociedade que faz o meu bem-estar, mas sim as minhas ideias, e estas posso sempre trazê-las comigo... Só elas são minhas e ninguém mas pode tirar.» Esta frase tem dois mil anos...

Como em outras obras suas, Botton escreve com simplicidade e clareza (um bem raro). Nota-se que é um bom leitor de livros (algo que podemos confirmar também em A Arte de Viajar). Disserta sobre figuras maiores da literatura, da pintura, da música, da filosofia, sem reverência nem floreados. Em suma, o escritor acaba por ser um bom pedagogo do saber.

Status Ansiedade, confirma-se, é um excelente complemento à leitura de Affluenza, de Oliver James, sobre o qual escrevi aqui.

Boas leituras, para quem não se importar com o Status que elas dão ou retiram a quem quer que seja.

agosto 17, 2008

As nuvens que passam...



De quem gostas mais, diz lá, homem enigmático? De teu pai, de tua mãe, de tua irmã ou de teu irmão?
- Não tenho pai, nem mãe, nem irmã, nem irmão.
- Dos teus amigos?
- Eis uma expressão cujo sentido até hoje ignorei.
- Da tua pátria?
- Não sei a latitude em que está situada.
- Da beleza?
- Amá-la-ia de boa vontade, divina e imortal.
- Do ouro?
- Odeio-o tanto como vós a Deus.
- Então que amas tu, singular estrangeiro?
- Amo as nuvens... as nuvens que passam... lá longe... as maravilhosas nuvens!

(Charles Baudelaire, O Estrangeiro)

agosto 12, 2008

Cinema para quem não vai à praia

Há dois realizadores em início de carreira, um alemão, outro russo, a seguir com atenção, pois as suas primeiras obras manifestam um fulgor e uma maturidade invulgares.

Hans Weingartner mostra o que (já) vale na sua segunda metragem, Os Edukadores (2004), editado por cá em DVD pela Atalanta Filmes. Trata-se um contundente libelo contra o culto do dinheiro nos países ricos. Mas não deve ser reduzido a "filme-denúncia", uma vez que é uma obra que autoriza múltiplas leituras.

Idealismo juvenil versus ganância acomodada, jovens revolucionários contra ex-revolucionários (aqueles apanhados em cheio pelo Maio de 68 e agora velhos-podres-de-ricos), denúncia do consumismo exacerbado e, ainda, crítica feroz de uma certa estupidificação dos europeus alimentada por quatro horas diárias dedicadas pelos mesmos a ver televisão.

Weingartner diz partilhar os mesmos ideais das personagens, Jan, Peter e Jule, do seu filme: «Acho que já ninguém pára para olhar o mundo de forma crítica. Ninguém diz: "Acordem! Isto é perverso! Vamos parar isto!". Apenas 10% da população mundial goza da riqueza produzida, enquanto os restantes 90% vive na pobreza e fome. No entanto, há suficiente trigo no mundo para providenciar 2000 calorias por dia para cada habitante da Terra. O problema é que o trigo não é bem redistribuído. 90% do mundo está a morrer à fome enquanto 10% faz dietas. Podíamos viver no paraíso mas a maioria das pessoas vive na merda.»

No site da Atalanta, pode ler-se uma entrevista com o realizador, o resumo do filme, críticas, etc..


Em O Regresso, também editado pela Atalanta, o russo Andreï Zviaguintsev pega num enredo simples - «A vida de dois irmãos é subitamente perturbada pelo reaparecimento do pai. A única memória que dele os dois irmãos guardavam era a de uma velha fotografia com dez anos. Será que ele é verdadeiramente o pai deles? Por que regressou depois de tantos anos?» - e desenvolve uma narrativa fílmica impregnada de tensão e rigor estético, pontuado, aqui e ali, pelas sombras do cinema de Tarkovski e de Sokurov.

Como escreveu Jorge Leitão Ramos, no Expresso, neste filme «estabelece-se um clima ficcional denso e opressivo, cuja poética pode fazer lembrar Tarkovski (...) O Regresso é um filme onde há uma perfeição formal inatacável e uma dor que se espalha sem renúncia.»

Para primeira obra, é estupendo. Veneza reconheceu-o e deu-lhe o Leão de Ouro, em 2003.


A ver:
Trailer de Os Edukadores
Trailer de O Regresso

julho 31, 2008

O Silêncio dos Livros

O ensaio O Silêncio dos Livros, de George Steiner, começa com uma advertência:

«Temos tendência a esquecer que, por serem altamente vulneráveis, os livros podem ser suprimidos ou destruídos.»

Pelo meio, esta verdadeira declaração de amor aos livros e à leitura faz-nos parar várias vezes para saborear uma releitura:

«Um dos requisitos fundamentais (para a leitura) é, também, o silêncio. À medida que a civilização urbana e industrial foi prevalecendo, o nível de ruído conheceu um aumento exponencial, estando hoje próximo da loucura.»

«Ou, como sussurrava Borges: "A censura é mãe da metáfora". Quando o aparelho de repressão cede aos valores veiculados pelos mass media ou ao matraquear da publicidade, como acontece hoje em dia na Europa ocidental, assistimos ao triunfo da mediocridade.»

Steiner fecha em grande, interrogando-se:

«Enquanto professor, alguém para quem a literatura, a filosofia, a música ou as artes são a verdadeira substância da vida, como poderei eu exprimir a necessidade que sinto de uma lucidez moral, consciente das necessidades humanas e da injustiça que torna possível uma cultura a tal ponto elevada? As torres que nos isolam são mais sólidas que o marfim. Não sei de resposta satisfatória para este problema.
Contudo, temos de encontrar uma resposta. Temos de a encontrar, se quisermos ser merecedores do privilégio desta nossa paixão, do milagre sempre renovado de segurar nas mãos um novo livro.»

O Silêncio dos Livros, George Steiner

julho 18, 2008

O spleen de Marianne Faithfull

A beleza de Sleep é directamente proporcional ao grau de spleen que provoca. Não terá sido por acaso que Patrice Chéreau escolheu este tema, retirado do álbum A Secret Life, para o epílogo de Son frère, um filme duro, em que a iminência da morte por doença leva a personagem principal, Thomas, a reflectir sobre a própria existência.

Mas, bem ouvidas as coisas, dureza, na voz, nas palavras, nos rasgos emocionais, bem que podia ser o nome do meio de Marianne Faithfull. É ouvir o álbum Broken English para se perceber porquê. Quem aguentar o embate, nunca mais a larga.

Só depois de deve passar por este discreto A Secret Life, em que Angelo Badalamenti (conhecido pela banda sonora de Twin Peaks, a famosa série de David Lynch) toma conta das orquestrações.

A Secret Life começa com Marianne a declamar Dante. Fecha com Shakespeare. E está muito bem assim.

julho 14, 2008

Mar aluado


© Helder Bastos
Matosinhos, 2008

julho 08, 2008

Pode alguém ser quem não é?

O livro Affluenza é uma espécie de grande reportagem interpretativa levada a cabo por um psicólogo inglês. Oliver James andou pelos quatro cantos do mundo a entrevistar pessoas para tentar perceber por que razão tanta gente quer ter o que não têm e ser quem não é, ficando deprimida pelo meio. Por que é que cada vez mais indivíduos são afectados pelo vírus da Affluenza?

Este vírus, clarifica o autor, «é constituído por um conjunto de valores que nos tornam mais vulneráveis aos distúrbios emocionais e implica dar mais valor à obtenção de dinheiro e de bens, ter bom aspecto aos olhos dos outros e desejar ter fama.»

Na sua passagem por cidades como Nova Iorque, Sidney, Moscovo, Singapura, Xangai ou Copenhaga, James constatou que o vírus tem alastrado: há cada vez mais homens e mulheres frustrados ou deprimidos por almejarem sempre mais bens e estatuto social ou por quererem ter uma aspecto físico melhor. E, quanto mais querem, mais têm de trabalhar para isso, prejudicando a qualidade de vida e propiciando a degradação das relações familiares (a começar pelos filhos), algo veementemente condenado pelo autor.

James aponta o dedo ao que chama de Capitalismo Egoísta (dá para perceber que o psicólogo não é um tipo de direita, nem tão-pouco vai à missa com a "esquerda" Tony Blair) como grande responsável pela propagação do vírus: «o Capitalismo egoísta dissemina a Affluenza; os EUA são a apoteose do Capitalismo Egoísta; quanto mais americanizada for uma nação, mais Capitalista Egoísta será e infectada pelo vírus da Affluenza.» A Dinamarca é o país apontado como sendo o menos infectado.

Basicamente, uma sociedade Capitalista Egoísta vive num ciclo vicioso e pernicioso: trata de aperfeiçoar as técnicas da criação de necessidades (publicidade) para levar as pessoas a comprar mais produtos e serviços (consumo) para o que, naturalmente, têm de se matar a trabalhar para serem "bem sucedidas" (carreira).

Ao longo das mais de 400 páginas do livro, James usa a sua experiência como psicólogo para analisar as respostas e atitudes das inúmeras pessoas que entrevistou. Entra, inclusivamente, em choque com algumas teorias de colegas de profissão, por sinal norte-americanos.

Oliver, que aos olhos de muitos pragmáticos parecerá um lírico, conta também as suas histórias pessoais e familiares, faz diagnósticos, não esconde as suas preferências políticas e sociais e, no final, deixa algumas propostas, ou "vacinas", para nos imunizar contra o vírus.

É uma pena que o psicólogo não tenha passado por Lisboa ou pelo Porto nesta sua empreitada. Certamente, ficaria abismado com a disseminação do vírus, sobretudo o da estirpe que se apodera, sem dó nem piedade, dos novos-ricos.

Affluenza é um contributo, para nós, simples leitores, muito importante para o questionar de algumas ideias feitas ou práticas adquiridas em relação ao ter e ao ser. Ter para exibir, não. Ser, no respeito pelas nossas motivações intrínsecas, sim.

É uma pena que Oliver James não conheça Sérgio Godinho para, em jeito de epílogo de livro, citar uma das canções do cantor português, rematada assim:

"Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a corda dum outro
serve-me no pé
nos dois punhos, nas mãos,
no pescoço, diz-me:
Pode alguém ser quem não é?"


A ver:
Oliver James explica Affluenza (vídeos)

julho 02, 2008

Os moralizadores



«Quando os moralizadores atacam a legislação liberal sobre a homossexualidade, o aborto, a prostituição, a censura, a blasfémia, a bastardia e outras matérias semelhantes, estão a manifestar hostilidade relativamente a estilos de vida que lhes desagradam pessoalmente, e a tentar impor, no seu lugar, as suas próprias escolhas, geralmente sob a forma de uma fantasia tradicionalista, os "valores de família".»

junho 28, 2008

Jocelyn Pook à sombra

Jocelyn Pook merecia melhor sorte. À semelhança do que acontece com Virginia Astley (entre muitas outras compositoras pouco mediáticas), Pook também "não passa" grande coisa em Portugal. A única vez que me lembro de a ter visto esta inglesa por cá foi... no cabo, no canal Mezzo, já lá vão uns anos.

Além de compor para cinema, televisão, teatro e dança, Pook toca violino. Os temas que Kubrick usou no filme De Olhos Bem Fechados contam-se entre os mais conhecidos. Bastante menos famosa é, por exemplo, a banda sonora que compôs para Como matei o meu pai (fotograma no último post), de Anne Fontaine.

A banda sonora de Caravaggio, filme realizado por Derek Jarman e já aqui elogiado, inclui também temas desta discreta compositora, bem como O Mercador de Veneza, de Michael Radford, ou Gangs de Nova Iorque, de Scorsese.

Jocelyn Pook não é fácil de catalogar, nem de gostar à primeira. E os bons artistas sabem como isso é fatal para quem sonha com alta fama e lugares nos topos das vendas. Mas, os verdadeiros artistas, esses estão positivamente a marimbar-se para isso. Quase tudo o resto é fancaria que por aí berra por um fugaz lugar ao sol.

Discover Jocelyn Pook!