
Charles Berling e Michel Bouquet fotografados por Jean-Marc Fabre no filme Como matei o meu pai, de Anne Fontaine
«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra.» George Steiner


O pianista sueco Esbjörn Svensson, falecido ontem, aos 44 anos, liderava «um dos mais excitantes e originais» trios de piano no jazz actual, escrevia, em 2004, Joshua Weiner, no All About Jazz. Subscrevo por inteiro.
Não é um romance sobre o amor. Mas também não é um livro de filosofia sobre o amor. É uma primeira obra de ensaios romanceados sobre o amor, escritos por um ex-professor e actual escritor com queda para a filosofia. Alain de Botton, de seu nome.
E onde cabe hoje o cinema de Tarkovski no nosso país? Tirando a Cinemateca e uns poucos resistentes cineclubes, em quase lado nenhum. O lado nenhum jaz soterrado em toneladas de pipocas.
Sylvain Chauveau pegou num punhado de grandes canções dos Depeche Mode, despiu-as de batida electrónica, juntou-lhes um generoso ensemble de cordas (Ensemble Nocturne) e produziu um disco magnífico: Down to the Bone - An Acoustic Tribute to Depeche Mode.
A estreia de um filme de Peter Greenaway devia ser motivo de júbilo e alarde. Mas não é. Bem pelo contrário. A Ronda da Noite estreia hoje e só em... Lisboa. No Porto, cidade-cemitério cinéfilo, nem vê-lo (longe vão os tempos em que podíamos ver filmes do Greenaway na capela de Serralves, imagine-se). E, como se sabe, o cine-pipoca de shopping dos arrabaldes da "capital do norte" devora hoje todas as salas disponíveis.
As personagens principais de Noite na Terra são actores secundários na vida. Giram no lado B da sociedade. Vivem e sonham acordados enquanto as cidades dormem. Jarmusch gosta delas (e nós, no final do filme, vamos pelo mesmo caminho). Entrega-lhes o palco principal. Leva-nos a ver com outros olhos os desafortunados, como, aliás, já fizera em Vencidos pela Lei.