É um verdadeiro portento o filme de estreia de Leos Carax. Então com apenas 22 anos (1984), o jovem realizador francês irrompe na Sétima Arte com Paixões Cruzadas, uma obra inesperadamente madura, quer do ponto de vista do argumento, quer do ponto de vista narrativo. O domínio do preto e branco revela-se espantoso. Nesta sequência, filmada numa ponte de Paris, à noite, ouvimos David Bowie, num dos seus registos de início de carreira, "When I Live my Dream". Este é dos tais momentos (e filmes) para mais tarde recordar.
dezembro 30, 2007
dezembro 29, 2007
A Música
Arrasta-me por vezes como um mar, a música!
Rumo à minha estrela,
Sob o éter mais vasto ou um tecto de bruma,
Eu levanto a vela;
Com o peito pra frente e os pulmões inchados
Como rija tela,
Escalo a crista das ondas logo amontoadas
Que a noite me vela;
Sinto vibrar em mim as inúmeras paixões
De uma nau sofrendo;
O vento, a tempestade e as suas convulsões
Sobre o abismo imenso
Embalam-me. Outras vezes é a calma, esse espelho
Do meu desespero!
Charles Baudelaire
in As Flores do Mal
Rumo à minha estrela,
Sob o éter mais vasto ou um tecto de bruma,
Eu levanto a vela;
Com o peito pra frente e os pulmões inchados
Como rija tela,
Escalo a crista das ondas logo amontoadas
Que a noite me vela;
Sinto vibrar em mim as inúmeras paixões
De uma nau sofrendo;
O vento, a tempestade e as suas convulsões
Sobre o abismo imenso
Embalam-me. Outras vezes é a calma, esse espelho
Do meu desespero!
Charles Baudelaire
in As Flores do Mal
dezembro 27, 2007
dezembro 22, 2007
Música de lamentação em Auschwitz
As palavras do segundo andamento da sinfonia No. 3 (Symphony of Sorrowful Songs), de Henryk Górecki, foram retiradas de uma oração escrita na parede de uma prisão da Gestapo, em 1944, por Helena, rapariga polaca de 18 anos.
Este tocante Lento e largo - Tranquillisimo foi incluído no filme Holocaust - A Music Memorial Film from Auschwitz, produzido, em 2005, para televisão. Pela primeira vez desde a libertação deste campo de concentração, ouviu-se música neste espaço de memória tenebrosa.
dezembro 19, 2007
dezembro 18, 2007
dezembro 13, 2007
O regresso de Lipovetsky (II)
«Vive-se uma era em que todas as esferas da vida social e individual se encontram, de uma forma ou de outra, reorganizadas segundo os princípios da ordem consumista.»«Na sociedade de hiperconsumo, até a espiritualidade se compra e vende. Se é verdade que a reemergência pós-moderna do religioso exprime um certo desencanto face ao materialismo da vida quotidiana, verifica-se também que o fenómeno é cada vez menos alheio à lógica comercial. A espiritualidade tornou-se mercado de massas, produto a comercializar, sector a gerir e a promover.»
«Adivinha-se no horizonte, não a aniquilação dos valores e sentimentos, mas, num cenário mais prosaico, a desregulação das existências, a vida sem protecção, a fragilização dos indivíduos. A sociedade do hiperconsumo é contemporânea da espiral de ansiedade, das depressões, das carências ao nível do amor-próprio, da dificuldade em viver.»
dezembro 11, 2007
dezembro 09, 2007
Egmont na dose certa
Ele há maestros de batuta ansiosa. Quando se trata de dirigir a fabulosa abertura Egmont, de Beethoven, alguns parecem mesmo estar com pressa de ir apanhar o comboio, impondo uma cadência nos ataques iniciais que sufoca a indispensável respiração dos silêncios.
Os célebres Herbert von Karajan e Leonard Bernstein não se incluem nesta categoria de maestros em hora de ponta. Sabem dosear, na perfeição (pelo menos, para os nossos ouvidos), o majestático e o sibilino, a trovoada e a bonança, tão típicos em Beethoven.

De Karajan, pode-se confirmar isto mesmo numa gravação, de 1985, para a Deutsche Grammophon, à frente da Berliner Philarmoniker. Para ouvir com o volume bem alto. O álbum inclui ainda as aberturas das óperas Coriolano e Fidelio.
No YouTube, e apesar das limitações de intensidade e volume, podemos ficar aqui com uma ideia da maestria de Bernstein na condução de Egmont à frente da Wiener Philharmoniker:
dezembro 06, 2007
dezembro 03, 2007
novembro 30, 2007
novembro 29, 2007
novembro 27, 2007
Videograma: Palombella Rossa, um filme de estalo
Há entrevistas que só ao estalo merecem respostas. Nesta cena, retirada do magnífico Palombella Rossa, filme em que Nanni Moretti questiona, de forma absolutamente madura, irónica e autocrítica a (sua) condição comunista (ex-comunista?), Michele, a personagem principal, vocifera: «Veja como fala! As palavras são importantes!!!». Os estalos caem logo após a jornalista usar palavras pretensiosas, estrangeiradas, como kitsch e cheap:
novembro 26, 2007
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