novembro 27, 2007
Videograma: Palombella Rossa, um filme de estalo
novembro 26, 2007
novembro 25, 2007
novembro 24, 2007
novembro 21, 2007
Ou de como como a religião envenena tudo
Há dias, o Público fez uma pré-publicação de Deus não é grande - Como a religião envenena tudo, um livro de Christopher Hitchens, jornalista, colaborador da revista Vanity Fair e professor convidado de estudos liberais na New School.O título, ajudado pelo texto pré-publicado, é um toque a rebate para a leitura da obra. O resumo, então, acaba com qualquer margem para hesitações, sobretudo para quem é laico e se identifica de imediato com a formulação, propícia a causar azia nos crentes, seja de que religião forem:
Este, é o livro que se segue. Para ver se a prosa está à altura da grandeza do título.
A ver:
Palestra de Christopher Hitchens sobre religião
novembro 20, 2007
Um livro para os outros*
Os tempos são de individualismo e consumismo. Cada um por si. Alguém que se preocupe com os outros. Mas, serão felizes as pessoas que vivem apenas para si ou, quando muito, para os que lhes são mais próximos? Peter Singer acha que não. E escreveu um livro sobre o assunto. O professor de bioética na Universidade de Princeton parte de perguntas retóricas simples: Como havemos de viver? Há ainda alguma coisa pela qual viver? Haverá algo a que valha a pena dedicarmo-nos, além do dinheiro, do amor e da atenção à nossa família? A resposta é: sim. Como? Vivendo «uma vida ética».
Para percebermos, com rigor, o que é, na visão do autor, «viver uma vida ética», temos de perceber as suas posições relativamente à avidez generalizada pelo dinheiro, ao consumismo impulsivo e desenfreado, ao vazio deixado pelo recuo da moral, ao egoísmo natural (ou não) dos homens, à natureza da ética. Estes temas são percorridos, com desenvoltura e clareza, ao longo de toda a obra.
Então, ”Como havemos de viver?” «Aqueles que agem eticamente escolhem um modo de vida alternativo, contrário à procura tacanha, acumuladora e competitiva do interesse próprio, que, como vimos, domina agora o Ocidente e já não é posta em causa nem nos antigos países comunistas.»
Moral da história deste livro: pensem um pouco mais nos outros para o bem-estar de todos.
novembro 17, 2007
novembro 13, 2007
novembro 12, 2007
O regresso de Lipovestky
Certos autores são como velhos amigos: a garantia de um prazer renovado a cada novo encontro. Lipovestky é um deles. O ensaio A Felicidade Paradoxal chegou-nos há pouco:Entrámos assim numa nova fase do capitalismo: a sociedade do hiperconsumo. Eis que nasce um terceiro tipo de Homo consumericus, voraz, móvel, flexível, liberto da antiga culturas de classe, imprevisível nos seus gostos e nas suas compras e sedento de experiências emocionais e de (mais) bem-estar, de marcas, de autenticidade, de imediatidade, de comunicação.
Tudo se passa como se, doravante, o consumo funcionasse como um império sem tempos mortos cujos contornos são infinitos. Mas estes prazeres privados originam uma felicidade paradoxal: nunca o indivíduo contemporâneo atingiu um tal grau de abandono.» (Edições 70).
novembro 10, 2007
Björk com toque dos Radiohead
novembro 05, 2007
O professor de arte
novembro 02, 2007
outubro 31, 2007
outubro 29, 2007
Zygmunt Bauman: como sobreviver à morte
outubro 26, 2007
Sobre a fragilidade dos laços humanos
O texto de Zygmunt Bauman faz jus ao título do livro: é líquido. Nem sempre é fácil acompanhar a liquidez de raciocínio e de escrita do autor de Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos. Os temas tratados, esses, são sólidos quanto baste: a fragilidade, a volatilidade, a descartabilidade dos laços e afectos que marcam as relações humanas da nossa "modernidade líquida". Não é fácil discordar com Bauman no tocante ao que define como «amor líquido». Basta olhar para o que se passa à nossa volta: divórcios em catadupa, triunfo das relações efémeras, cultivo de amizades instantâneas, tipo "Hi5", e, sobretudo, nada de grandes compromissos. Relacionamentos para toda a vida? Passou à história.
Logo no início do livro, que o sociólogo polaco dedica aos riscos e ansiedades de se viver junto, e separado, lê-se: «No nosso mundo de furiosa "individualização", os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Durante a maior parte do tempo, esses dois avatares coabitam - embora em diferentes níveis de consciência. No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos de ambivalência. É por isso, podemos garantir, que se encontram tão firmemente no cerne das atenções dos modernos e líquidos indivíduos-por-decreto e no topo da sua agenda existencial.»
Bauman não se limita a identificar padrões de comportamento ou tendências em vias de consolidação: sobre ambos tem uma perspectiva, diríamos, sem qualquer teor pejorativo, conservadora. Percebe-se que valoriza relações mais sólidas, sobretudo quando escreve sobre quem passa a vida a mudar de parceiros ou a ter relações sexuais tipo "fast food". É o vazio que os espera no final de cada experiência efémera.
Nalgumas passagens, em que fala sobre amor filial, Bauman é quase provocador: «Esta é uma época em que um filho é, acima de tudo, um objecto de consumo emocional.» Difícil de digerir, ou de reconhecer, para muitos pais. Mas pertinente.
Mais à frente, Bauman procura relacionar os hábitos consumistas, triunfantes, com os novos hábitos de “consumir” pessoas como se fossem produtos, para usar e descartar de seguida de forma a abrir espaço a novos produtos. Os relacionamentos como aquisição, o outro como objecto de consumo:
"O desvanecimento das habilidades de sociabilidade é reforçado e acelerado pela tendência, inspirada no estilo de vida consumista dominante, a tratar os outros seres humanos como objectos de consumo e a julgá-los, segundo o padrão desses objectos, pelo volume de prazer que provavelmente oferecem e em termos do seu "valor monetário". Na melhor das hipóteses, os outros são avaliados como companheiros na actividade essencialmente solitária do consumo, parceiros nas alegrias do consumo, cujas presença e participação activa podem intensificar esses prazeres. Nesse processo, os valores intrínsecos dos outros como seres humanos singulares (e assim também a preocupação com eles por si mesmos, e por essa singularidade) estão quase a desaparecer de vista. A solidariedade humana é a primeira baixa causada pelo triunfo do mercado consumidor.»
Nada meigo, este Bauman.
A parte final do livro é um libelo contra a xenofobia e uma análise do medo em relação ao estranho, aos que vêm de longe, os “sem território”. Paulo Portas aparece citado. Pelas piores razões, como seria de calcular.





