
© Helder Bastos
Arles, 2007
Arles, 2007
«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra.» George Steiner
Naqoyqatsi, o último filme/documentário da trilogia Qatsi (ver as duas entradas anteriores), é uma experiência alucinante. A sucessão de imagens, trabalhadas ao pormenor, por vezes de uma complexidade extrema, deixa-nos quase sem fôlego. Chegamos ao fim com o prazer e a sensação de que é necessário voltar ao princípio.
Enquanto Koyaanisqatsi (ver entrada anterior) lida com o desequilíbrio entre a natureza e as sociedades modernas do (rico) hemisfério norte, Powaqqatsi mostra-nos a escala humana, o trabalho, a diversidade cultural, as tradições e, sim, a pobreza de povos de África, da Índia, do Médio Oriente, da América do Sul.
A trilogia de documentários Qatsi, do realizador Godfrey Reggio, demorou mais de duas décadas a ficar completa. Koyaanisqatsi (1982), Powaqqatsi (1998) e Naqoyqatsi (2002) são um verdadeiro monumento, em sons e imagens, erguido ao nosso desequilibrado, massacrado, perigoso e fascinante planeta.