Street Spirit ouve-se a preto e branco e vê-se por entre as sombras.
janeiro 29, 2007
janeiro 28, 2007
'Mediamorfose' no Travessias
O Travessias está em plena mediamorfose experimental (o Roger Fidler que me perdoe o exagero...). O texto é cada vez mais acompanhado de fotografia e vídeo, graças à ajuda do YouTube, Google Video e quejandos. Portanto, está a transformar-se num híbrido, algures entre o blogue, o fotoblogue e o videoblogue. Experimentemos, pois os tempos, felizmente, estão para isso.
Quando se fala de música ou de cinema, por exemplo, aqueles sites de vídeo têm material fabuloso, recente ou antigo, que pura e simplesmente não "passa" nos nossos canais de televisão. Frank Zappa a gravar em estúdio em 1968? Um excerto do filme Caravaggio, de Derek Jarman? O trailer de Citizen Kane? A Laurie Anderson a contar uma das suas mirabolantes histórias? O Rufus a cantar uma música dos Beatles? O Antony ao vivo num programa de TV em dueto com Boy George? As CocoRosie ao vivo algures nos EUA? Foucault em amena cavaqueira filosófica com Chomsky?
Os canais de televisão tradicionais (generalistas e temáticos, sem excepção) deviam estar mais atentos ao que se está a passar em termos de "televisão" online. Para já, a reacção generalizada parece ser em tudo idêntica à que assistimos em 1995, 1996, quando a Internet começou a instalar-se: desprezo, menorização, desvalorização, etc.. Em geral, os média portugueses estranham muito e entranham pouco. E a muito custo.
Quando se fala de música ou de cinema, por exemplo, aqueles sites de vídeo têm material fabuloso, recente ou antigo, que pura e simplesmente não "passa" nos nossos canais de televisão. Frank Zappa a gravar em estúdio em 1968? Um excerto do filme Caravaggio, de Derek Jarman? O trailer de Citizen Kane? A Laurie Anderson a contar uma das suas mirabolantes histórias? O Rufus a cantar uma música dos Beatles? O Antony ao vivo num programa de TV em dueto com Boy George? As CocoRosie ao vivo algures nos EUA? Foucault em amena cavaqueira filosófica com Chomsky?
Os canais de televisão tradicionais (generalistas e temáticos, sem excepção) deviam estar mais atentos ao que se está a passar em termos de "televisão" online. Para já, a reacção generalizada parece ser em tudo idêntica à que assistimos em 1995, 1996, quando a Internet começou a instalar-se: desprezo, menorização, desvalorização, etc.. Em geral, os média portugueses estranham muito e entranham pouco. E a muito custo.
janeiro 26, 2007
A Grace de Buckley
Grace é daqueles álbuns que devia, obrigatoria e incondicionalmente, estar incluído naqueles livros que agora se podem ver por aí com títulos do género 1000 albuns para ouvir antes de morrer. Se não está, devia estar.O disco é todo bom, mas tem três momentos sublimes: o Corpus Christi Carol, um cântico composto por Benjamin Britten, Lilac Wine, um tema clássico imortalizado pela grande Nina Simone, e um magnífico Hallelujah, de Leonard Cohen.
janeiro 25, 2007
O mundo na China
janeiro 17, 2007
Um anjo doido em Paris
O poster é atraente. O filme não lhe fica atrás. Paris, linda como sempre, a preto e branco. Angel-a. Um anjo doido, bom de morrer. Anja Garbarek a cantar. O melhor filme de Besson, como diz o João Lopes? Muito provavelmente. Fica na retina. Muito tempo depois de o vermos.janeiro 09, 2007
Fragmentos do Iraque
Ora aqui está um documentário que, suspeito, terá vida muito difícil até chegar (se chegar) ao pobre mercado videográfico português. Intitula-se Iraq in Fragments e já tem uma dose razoável de prémios em vários festivais.
dezembro 24, 2006
Natal a caminho de Guantánamo
A Caminho de Guantánamo era um DVD que o Pai Natal, em jeito de puxão de orelhas a cidadãos mal informados, nuns casos, pessimamente formados, noutros casos, deveria pôr no sapatinho de George W. Bush, Tony Blair, Donald Rumsfeld, Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Paulo Portas, José Manuel Fernandes, José María Aznar, Durão Barroso, Pacheco Pereira, João Carlos Espada e no do mais distraído colunista de toda a história da imprensa portuguesa: Luís Delgado.dezembro 15, 2006
Parar para ver cinema
Greenaway tem razão: grande parte do cinema ocidental é demasiado verborreico. Tem texto a mais a impor-se à imagem. Poucas vezes se verifica o contrário. O povo é entretido com guiões romanceados ilustrados com fotografias em movimento.O cinema (não confundir com filmes produzidos a martelo ou golpe marcial) que nos tem chegado do Oriente tem reposto uma certa, e refrescante, primazia da imagem.
Um exemplo recente é Ferro 3, do sul-coreano Kim Ki-duk. Passou discretamente nas salas e chegou há pouco tempo a DVD. Dois jovens invulgares conhecem-se, apaixonam-se, vivem uma vida estranha, quase sem proferirem uma palavra.
É um cinema sibilino. Vive do pequeno gesto, do toque à superfície, da eloquência do olhar, da placidez dos rostos. Deixa-nos um espaço amplo para a construção das personagens, que ora nos parecem vazias de sentido, ora nos fazem adivinhar um complexidade psicológica muito pouco óbvia. Permite-nos, para além disso, saborear a fotografia, o enquadramento, a cor, o contraste, a profundidade.
Em certo sentido, estamos perante um cinema purificador. Como o que Wong Kar-Wai, de Hong Kong, faz, de forma tocante, em Disponível para Amar.
Numa época de ditadura da actualidade, de urgência sem demora do "já e agora", de juventude hiperactiva e multitarefeira, de civilização "fast tudo", de cultura visual Playstation, às vezes, e parafraseando aquele anúncio da Becel, é bom parar, escutar o coração e ver filmes destes.
Em certo sentido, estamos perante um cinema purificador. Como o que Wong Kar-Wai, de Hong Kong, faz, de forma tocante, em Disponível para Amar.
Numa época de ditadura da actualidade, de urgência sem demora do "já e agora", de juventude hiperactiva e multitarefeira, de civilização "fast tudo", de cultura visual Playstation, às vezes, e parafraseando aquele anúncio da Becel, é bom parar, escutar o coração e ver filmes destes.
novembro 24, 2006
Lipovetsky: o indivíduo hipermoderno
Cada novo livro de Gilles Lipovetsky, autor do célebre A Era do Vazio, é uma tentação. O último acaba de ser publicado em Espanha, com o título Los Tiempos Hipermodernos.
Sinopse, também ela tentadora: «O "pós-moderno" chegou ao seu fim: passamos para a era "hipermoderna". Esta época caracteriza-se pelo hiperconsumo e o indivíduo hipermoderno: o hiperconsumo absorve e integra cada vez mais esferas da vida social e estimula o indivíduo a consumir para sua satisfação pessoal; o indivíduo hipermoderno, ainda que orientado para o hedonismo, sente a tensão que resulta de viver num mundo que se dissociou da tradição e enfrenta um futuro incerto. Os indivíduos estão corroídos pela angústia, o medo sobrepôs-se aos seus prazeres e a ansiedade à sua libertação.»
Esperemos qua alguma editora portuguesa esteja já a trabalhar no sentido de traduzir esta obra para português.
novembro 18, 2006
Uakti: ouro do Brasil
Eles tocam trompetim. Cachimbo. Borel. Taquará. Pius Pi. Sinos de madeira. Tatu. Panelário. Latinhas. Manfra. Trilobita. São mais de cinquenta instrumentos.Eles tocam e fazem magia. Música celestial. Tocam Philip Glass, Bossa Nova, sonatas, samba. Tudo lindo. Chamam-se Uakti. O nome deriva de uma lenda indígena dos índios Tukano do Alto Rio Negro.
É descobri-los. Sem perder tempo. Têm um site impecável na Web, onde se pode entrar no universo musical deles.
Como podem tesouros destes permanecer tão desconhecidos em Portugal? Em bom brasileiro, como é que pode, cara?
novembro 17, 2006
novembro 11, 2006
Incidentes
Entro num salão de chá-restaurante vegetariano. Arquitectura clássica, retocada. Está quase vazio. É fim de tarde e duas velhinhas, muito velhinhas, conversam numa mesa ao fundo. O chá chega. Dos altifalantes sai a transmissão da missa da Rádio Renascença. Não há que enganar: estou na cidade dos bispos.
novembro 10, 2006
Antony na cidade dos bispos
Braga é, hoje, a capital dos fãs de Antony. Um herege na cidade dos bispos. Um dos maiores milagres da pop dos últimos anos. Aposto que vai ser um dos concertos do ano.«Quem quer que se coloque perante Antony, é improvável que não repare no seu chorumento corpo gigante de fantasma branco, mas, para quem quer que o faça, será mais improvável ainda que não se deixe abismar perante a singular majestade da sua voz - um autêntico instrumento único e natural, capaz de atravessar com ínfimas delicadezas, e numa só nota, todos os falsettos que percorrem a gravidade dos espirituais». (José Miguel Gaspar, JN)
novembro 08, 2006
Yimou
Abram alas que vem aí um novo filme de Zhang Yimou. Este realizador chinês tem uma filmografia a todos os títulos brilhante, mas depois de Herói e de O Segredo dos Punhais Voadores, cada nova obra dele é um acontecimento.A estreia, nos Estados Unidos, de Curse of the Golden Flower está marcada para 22 de Dezembro. A Sony já abriu o site oficial, onde podemos ver dois trailers e várias featurettes com entrevistas ao realizador e aos actores, entre os quais Gong Li (na foto).
A crer nas primeiras imagens, temos mais um épico imperdível à vista. Venha ele e depressa para Portugal.
outubro 29, 2006
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