agosto 21, 2006
agosto 17, 2006
TV Cabo raso
A TV Cabo está cada vez mais pimba, vergada ao popularucho mais asqueroso, com laivos de esoterismo de pechisbeque. Agora dá antena, ou melhor, cabo, a todo o tipo de vendedores da banha da cobra.
A machadada mais recente foi acabar com o canal GNT, que ainda conservava alguma decência na programação, e substituí-lo por uns apresentadores aprumadinhos de risca ao meio, que só de ver assusta.
Kama Sutra, tarot, cartomancia, misticismo, tudo o que esteja bem longe da razão, é o que está a dar. É sabido que, como dizia outro, Deus morreu e Marx também. Mas convém não exagerar.
Kama Sutra, tarot, cartomancia, misticismo, tudo o que esteja bem longe da razão, é o que está a dar. É sabido que, como dizia outro, Deus morreu e Marx também. Mas convém não exagerar.
Um zapping noctívago pelos canais da TV Cabo é uma experiência deprimente. Não dá nada de jeito. Salva-se um ou outro canal, com a BBC World e o Mezzo à cabeça. E lá se foi, há muito, esse bom luxo de minorias que era o Arte. O dinheiro, como se sabe, não vai com a cara das minorias. E era nisto que Pacheco Pereira devia pensar um pouco antes de defender a ideia absurda de privatizar tudo quanto é canal em Portugal.
Pouco há a esperar. A lógica das audiências lucrativas é implacável. Telespectador é mero número burro para fazer monte. Portanto, o mínimo agora é fazer como o Jesualdo e mudar de clube. Ou então sair para o terraço e contemplar as estrelas de Agosto.
agosto 15, 2006
agosto 11, 2006
Líbano: um mês de loucos
Faz agora um mês, o Hezbollah capturou dois soldados israelitas. A retaliação directa levada a cabo por Israel traduz-se, hoje, em 1032 libaneses mortos, a maior parte deles civis (entre eles uma quantidade hedionda de crianças), quase 3600 feridos e mais de 900 mil deslocados.Isto não é Israel a lutar pela sua própria sobrevivência. É o retrato de um estado a afundar-se no seu próprio desespero.
A ler:
Lebanon under siege
A ler:
Lebanon under siege
agosto 09, 2006
Em defesa do "slow journalism"
Já é bem conhecido o movimento internacional "slow food", que defende a boa comida tradicional contra a avassaladora "fast food" de plástico e gorduras em excesso. Comer não é apenas deglutir apressadamente. É também um ritual de degustação e prazer. E assim é que está certo. Viva a "comida lenta", portanto.
Depois de ler uma notícia que vem hoje no Público, acerca de dois jornalistas de investigação veteranos - conhecidos por publicarem pouco mais de duas grandes estórias por ano, algumas galardoadas com o prémio Pulitzer - dispensados pela revista norte-americana Time, fico com vontade de subscrever um abaixo-assinado a favor da criação do movimento "slow journalism".
"Slow jornalism": jornalismo com o tempo que for preciso para investigar a sério uma boa estória. Jornalistas com gosto pela degustação do rigor, do pormenor, da profundidade, da persistência, da descoberta daquilo que outros querem esconder do (bem) público. Jornalismo de "chefes de mesa" com a espinha no sítio para aguentar a pressão do piri-piri das manchetes. Jornalismo nos antípodas do "fast journalism" que por aí abunda, gordo mórbido de notícias requentadas, de press-releases encapotados e de fretes consumados.
agosto 08, 2006
Incidentes
Dois homens, um deles velho, magro de tosse tabágica. Estão ao balcão da FNAC de Matosinhos. O mais novo tem pneu e bigode e gesticula muito. Tem um ar muito português. Ao fundo do balcão, um aviso sóbrio: «não fumar nesta zona». De repente, o bigodes latino passa-se. Urra: «Eu vou fumar aqui, tá a ouvir! Eu vou fumar aqui e mais nada!» Ao que o jovem empregado de balcão retorque, esmagado com tanta veemência bruta: «pronto, tá bem...»
Ao fundo do balcão, imaginei outro aviso: «a FNAC não serve cafés a bestas quadradas.»
Ao fundo do balcão, imaginei outro aviso: «a FNAC não serve cafés a bestas quadradas.»
julho 31, 2006
Inclinação para o massacre
O recente desvario facínora de Israel no Líbano fez-me recordar e reler uma passagem do livro A Ideia de Europa, de George Steiner:
«Somos bípedes capazes de sadismo indizível, ferocidade territorial, ganância, vulgaridade e todo o tipo de torpeza. A nossa inclinação para o massacre, para a superstição, para o materialismo e o egotismo carnívoro pouco se alterou durante a breve história da nossa estada na Terra.»
julho 28, 2006
Greenaway por ele mesmo
Acaba de ser colocado no mercado, pela Costa do Castelo Filmes, o DVD O ventre de um arquitecto, do realizador britânico Peter Greenaway. O filme é para rever com prazer garantido, mas o DVD traz um brinde cinéfilo fantástico.Trata-se do documentário O alfabeto e o olho. É uma verdadeira aula de cinema dada pelo próprio Greenaway. O realizador explica a sua concepção de cinema e diz coisas que, para muitos cinéfilos, serão incómodas.
Por exemplo: um operador de câmara devia estudar pintura pelo menos durante três anos antes de alguém lhe passar uma câmara de filmar paras as mãos; os mais de cem anos que a história do cinema leva são constituídos maioritariamente por "textos ilustrados", isto é, filmes em que as imagens se limitam a apoiar a narrativa escrita; o cinema é uma arte boa de mais para ser deixada nas mãos de meros contadores de histórias.
O alfabeto e o olho inspira-se nos "mapas" (elementos, números, letras) que Greenaway usa nos seus filmes, nos quais a inspiração da pintura tem lugar de relevo. E ajuda-nos a ver as imagens em movimento com outro olhar.
julho 25, 2006
De olhares: 366 minutos de Itália
Seis horas de filme. Quatro décadas de Itália, mostradas a partir da história de uma família italiana, dos anos 60 até à actualidade. Obra de grande fôlego, filmada por Marco Tullio Giordana de forma sóbria, sensível e envolvente. A espessura das personagens, contrastada com momentos marcantes na vida colectiva de Itália, permite aguentar, sem quebras, a narrativa de... 366 minutos. A Melhor Juventude é para quem gosta de história com boas estórias dentro.julho 23, 2006
Líbano
Já pode ser lido online um texto, lúcido e certeiro, que Vital Moreira escreveu recentemente no Público, a propósito do ataque israelita no sul do Líbano.
Começa assim: «Quando um Estado, para responder a uma acção bélica inimiga, resolve atacar alvos civis, matar gente inocente a esmo, destruir estradas e pontes, portos e aeroportos, centrais eléctricas e bairros urbanos, isso tem um nome feio: terrorismo. No caso, terrorismo de Estado. Na vertigem da violência que é o interminável conflito israelo-palestiniano, Israel adopta decididamente a mesma lógica fatal de que acusa os seus inimigos, ou seja, transformar os civis em carne para canhão.»
Vale a pena ler o resto de "Entre ruínas, ninguém leva a melhor".
Vale a pena ler o resto de "Entre ruínas, ninguém leva a melhor".
julho 15, 2006
Israel destrambelhado
A propósito da destrambelhada e desproporcionada intervenção militar na Faixa de Gaza e no sul do Líbano por parte de Israel - esse estado que, por vezes, se comporta como um verdadeiro terrorista - o Monde faz hoje, em editorial, uma síntese perfeita:
«Depuis l'arrivée de George W. Bush à la Maison Blanche, les Etats-Unis ont abandonné leur rôle d'" honnête médiateur" et collent à la politique d'Israël, quelle qu'elle soit. Les Russes n'ont pas de stratégie particulière, sinon celle de rendre la vie difficile aux Américains. Les Européens ont du mal à se faire entendre, faute d'exister politiquement. Et, comme l'a montré une pathétique prestation vendredi soir au Conseil de sécurité, l'ONU est impuissante : elle est le reflet de la mauvaise volonté de tout le monde.»
julho 11, 2006
Laurie Anderson, Casa da Música
Quem perdeu o espectáculo de Laurie Anderson no Teatro São João não pode dar-se ao luxo de a deixar escapar, esta quinta-feira, na Casa da Música.Quem a conhece e gosta, vai bisar. Nem que seja para a ouvir ler uma lista telefónica.
Quem ainda não descobriu esta pérola de talento, imaginação e rasgo, tem agora uma oportunidade fantástica. E logo na Casa da Música!
Quem ainda não descobriu esta pérola de talento, imaginação e rasgo, tem agora uma oportunidade fantástica. E logo na Casa da Música!
julho 10, 2006
De olhares: um palácio de Calatrava
Santiago Calatrava, Palácio das Artes Rainha Sofia, Valência, 2005
julho 09, 2006
A razão do improviso
«Improvisar é como viver um transe espiritual, não é algo que se possa analisar através da razão. A essência da improvisação é permitir que a música surja por si mesma.»
julho 04, 2006
De ouvido: Kate Bush
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