Seis horas de filme. Quatro décadas de Itália, mostradas a partir da história de uma família italiana, dos anos 60 até à actualidade. Obra de grande fôlego, filmada por Marco Tullio Giordana de forma sóbria, sensível e envolvente. A espessura das personagens, contrastada com momentos marcantes na vida colectiva de Itália, permite aguentar, sem quebras, a narrativa de... 366 minutos. A Melhor Juventude é para quem gosta de história com boas estórias dentro.julho 25, 2006
De olhares: 366 minutos de Itália
Seis horas de filme. Quatro décadas de Itália, mostradas a partir da história de uma família italiana, dos anos 60 até à actualidade. Obra de grande fôlego, filmada por Marco Tullio Giordana de forma sóbria, sensível e envolvente. A espessura das personagens, contrastada com momentos marcantes na vida colectiva de Itália, permite aguentar, sem quebras, a narrativa de... 366 minutos. A Melhor Juventude é para quem gosta de história com boas estórias dentro.julho 23, 2006
Líbano
Já pode ser lido online um texto, lúcido e certeiro, que Vital Moreira escreveu recentemente no Público, a propósito do ataque israelita no sul do Líbano.
Começa assim: «Quando um Estado, para responder a uma acção bélica inimiga, resolve atacar alvos civis, matar gente inocente a esmo, destruir estradas e pontes, portos e aeroportos, centrais eléctricas e bairros urbanos, isso tem um nome feio: terrorismo. No caso, terrorismo de Estado. Na vertigem da violência que é o interminável conflito israelo-palestiniano, Israel adopta decididamente a mesma lógica fatal de que acusa os seus inimigos, ou seja, transformar os civis em carne para canhão.»
Vale a pena ler o resto de "Entre ruínas, ninguém leva a melhor".
Vale a pena ler o resto de "Entre ruínas, ninguém leva a melhor".
julho 15, 2006
Israel destrambelhado
A propósito da destrambelhada e desproporcionada intervenção militar na Faixa de Gaza e no sul do Líbano por parte de Israel - esse estado que, por vezes, se comporta como um verdadeiro terrorista - o Monde faz hoje, em editorial, uma síntese perfeita:
«Depuis l'arrivée de George W. Bush à la Maison Blanche, les Etats-Unis ont abandonné leur rôle d'" honnête médiateur" et collent à la politique d'Israël, quelle qu'elle soit. Les Russes n'ont pas de stratégie particulière, sinon celle de rendre la vie difficile aux Américains. Les Européens ont du mal à se faire entendre, faute d'exister politiquement. Et, comme l'a montré une pathétique prestation vendredi soir au Conseil de sécurité, l'ONU est impuissante : elle est le reflet de la mauvaise volonté de tout le monde.»
julho 11, 2006
Laurie Anderson, Casa da Música
Quem perdeu o espectáculo de Laurie Anderson no Teatro São João não pode dar-se ao luxo de a deixar escapar, esta quinta-feira, na Casa da Música.Quem a conhece e gosta, vai bisar. Nem que seja para a ouvir ler uma lista telefónica.
Quem ainda não descobriu esta pérola de talento, imaginação e rasgo, tem agora uma oportunidade fantástica. E logo na Casa da Música!
Quem ainda não descobriu esta pérola de talento, imaginação e rasgo, tem agora uma oportunidade fantástica. E logo na Casa da Música!
julho 10, 2006
De olhares: um palácio de Calatrava
Santiago Calatrava, Palácio das Artes Rainha Sofia, Valência, 2005
julho 09, 2006
A razão do improviso
«Improvisar é como viver um transe espiritual, não é algo que se possa analisar através da razão. A essência da improvisação é permitir que a música surja por si mesma.»
julho 04, 2006
De ouvido: Kate Bush
julho 03, 2006
O Porto, por enquanto
Umas vezes, o Porto (cidade...) dá vontade de emigrar: ruas sujas, pessoas porcas, casas a cair, mamarrachos a pulular, passeios a rebentar, polícias por aparecer, carros a acelerar, mau humor a dar com um pau, a noite deserta e os vizinhos estranhos e as pessoas sós.
Outras vezes, a velha Invicta redime-se e enche-nos de satisfação. A bela festa do São João na Casa da Música, a Casa da Música, as sardinhas assadas num restaurante patusco, a nova Praça do Marquês, o Metro a tempo e horas e as suas estações de primeiro mundo, o Sakamoto, a Laurie Anderson e a Lila Downs por cá, o café do Guarani que sabe cada vez melhor, o do Majestic também só que é mais caro, a nova avenida "Sizenta" em frente à Câmara que nos deixa com muitas dúvidas, os plátanos imponentes do jardim de Arca D'água (que já viram o rabinho a muito autarca incompetente), as camélias que perfumam o ar, o inacreditável (por ser tão grande e tão bonito) Parque da Cidade. E esse país das maravilhas que são os jardins de Serralves, onde podemos suspender a cidade no tempo e no espaço.
E o mar. Há sempre o mar casado com o rio para onde fugir quando o betão enoja e a ignorância da política se torna nauseabunda.
E o mar. Há sempre o mar casado com o rio para onde fugir quando o betão enoja e a ignorância da política se torna nauseabunda.
junho 27, 2006
De olhares: Aldo Moro, por outro lado
Em Bom Dia, Noite, Marco Bellocchio mergulha, em jeito de teatro filmado, na intimidade de um dos episódios mais tristes da Itália dos anos 70: o rapto e assassínio do ex-primeiro-ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas.Bellocchio dá-nos a ver um Moro em cativeiro profundamente humanista e cristão, ao mesmo tempo que pinta com tintas fortes, quase caricaturais, o argumentário básico das utopias revolucionárias dos brigadistas, para quem os mais "altos interesses" do proletariado justificavam qualquer morte ou assassínio.
Chiara - afinal, a personagem principal - é a única que ao longo do filme desliza das cegas certezas revolucionárias, que extrai de leituras de Marx e Engels, para o degelo da dúvida e da sensibilidade. Vemo-la chorar quando ouve Moro ler uma carta em voz alta. Diz que é de raiva, mas nós, deste lado do ecrã, sabemos que está a mentir.
Num sonho final, Chiara liberta Moro, enquanto os restantes membros das Brigadas dormem. Vemos Moro a passear na rua, com um ar de quem vai partir de novo para a vida. Mas, como se sabe, o fim foi de pesadelo.
O filme, escrito pelo próprio realizador, ganhou o prémio de melhor contribuição artística individual pelo argumento no Festival de Veneza, em 2003. O melhor da música dos Pink Floyd lá aparece como banda sonora.
O filme, escrito pelo próprio realizador, ganhou o prémio de melhor contribuição artística individual pelo argumento no Festival de Veneza, em 2003. O melhor da música dos Pink Floyd lá aparece como banda sonora.
junho 22, 2006
Travessias Digitais
No Travessias Digitais, o meu blogue temático, tenho falado de novidades em ciberjornais, na febre da chamada Web 2.0, na concentração dos media e em problemas que afectam o jornalismo português.
junho 21, 2006
Estrangeirismos and so on
Os linguistas portugueses deviam inventar, rapidamente e em força, um mata-moscas para dar cabo de umas melgas que andam por aí a enxamear o português preguiçoso:
"product placement", "project finance", "happy slapping", "news center", "car wash", "health center", "share" de não sei quantos por cento, "body building", "franchising", "cluster", "step", "fitness", "body combat", "body balance", "kickboxing", "Arrabida Place", "body pump", "personal training" (os ginásios abusam que se fartam), "downsizing", and so on.
junho 20, 2006
O mestre só
«Ensinar sem uma grave apreensão, sem uma reverência perturbada pelos riscos envolvidos, é uma frivolidade. Fazê-lo sem considerar as possíveis consequências individuais e sociais é cegueira. O grande ensino é aquele que desperta dúvidas, que encoraja a dissidência, que prepara o aluno para a partida («Agora deixa-me», ordena Zaratustra). No final, um verdadeiro Mestre deve estar só.»
George Steiner, As Lições dos Mestres
junho 11, 2006
Sakamoto: reaprender a ouvir
«No nosso estilo de vida a música é mais um produto de consumo. O excesso de música faz com que estabeleçamos com ela uma relação de quase indiferença. Pelo excesso, nivelamo-la de igual forma - a boa e a medíocre. Precisamos de silêncio (...) Temos de reaprender a ouvir. Saber estar no silêncio, é o princípio.»Ryuichi Sakamoto
junho 08, 2006
Flash deslumbrante
Quem, depois de ver e ouvir isto, disser mal da Web e dessas "modernices" da "Intermete", leva!
junho 03, 2006
Google Video com Sonny Rollins
O vídeo vai dando passos largos na Web. Os formatos diversificam-se, a oferta expande-se e até os solavancos nas imagens estão menos penosos.
Num dos passeios pelo ciberespaço, encontrei, no Google Video, um interessantíssimo mini-documentário (um trabalho em Flash), com a duração de dez minutos, sobre o lançamento do próximo álbum do colosso do saxofone Sonny Rollins:
Num dos passeios pelo ciberespaço, encontrei, no Google Video, um interessantíssimo mini-documentário (um trabalho em Flash), com a duração de dez minutos, sobre o lançamento do próximo álbum do colosso do saxofone Sonny Rollins:
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