Santiago Calatrava, Palácio das Artes Rainha Sofia, Valência, 2005
julho 10, 2006
De olhares: um palácio de Calatrava
Santiago Calatrava, Palácio das Artes Rainha Sofia, Valência, 2005
julho 09, 2006
A razão do improviso
«Improvisar é como viver um transe espiritual, não é algo que se possa analisar através da razão. A essência da improvisação é permitir que a música surja por si mesma.»
julho 04, 2006
De ouvido: Kate Bush
julho 03, 2006
O Porto, por enquanto
Umas vezes, o Porto (cidade...) dá vontade de emigrar: ruas sujas, pessoas porcas, casas a cair, mamarrachos a pulular, passeios a rebentar, polícias por aparecer, carros a acelerar, mau humor a dar com um pau, a noite deserta e os vizinhos estranhos e as pessoas sós.
Outras vezes, a velha Invicta redime-se e enche-nos de satisfação. A bela festa do São João na Casa da Música, a Casa da Música, as sardinhas assadas num restaurante patusco, a nova Praça do Marquês, o Metro a tempo e horas e as suas estações de primeiro mundo, o Sakamoto, a Laurie Anderson e a Lila Downs por cá, o café do Guarani que sabe cada vez melhor, o do Majestic também só que é mais caro, a nova avenida "Sizenta" em frente à Câmara que nos deixa com muitas dúvidas, os plátanos imponentes do jardim de Arca D'água (que já viram o rabinho a muito autarca incompetente), as camélias que perfumam o ar, o inacreditável (por ser tão grande e tão bonito) Parque da Cidade. E esse país das maravilhas que são os jardins de Serralves, onde podemos suspender a cidade no tempo e no espaço.
E o mar. Há sempre o mar casado com o rio para onde fugir quando o betão enoja e a ignorância da política se torna nauseabunda.
E o mar. Há sempre o mar casado com o rio para onde fugir quando o betão enoja e a ignorância da política se torna nauseabunda.
junho 27, 2006
De olhares: Aldo Moro, por outro lado
Em Bom Dia, Noite, Marco Bellocchio mergulha, em jeito de teatro filmado, na intimidade de um dos episódios mais tristes da Itália dos anos 70: o rapto e assassínio do ex-primeiro-ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas.Bellocchio dá-nos a ver um Moro em cativeiro profundamente humanista e cristão, ao mesmo tempo que pinta com tintas fortes, quase caricaturais, o argumentário básico das utopias revolucionárias dos brigadistas, para quem os mais "altos interesses" do proletariado justificavam qualquer morte ou assassínio.
Chiara - afinal, a personagem principal - é a única que ao longo do filme desliza das cegas certezas revolucionárias, que extrai de leituras de Marx e Engels, para o degelo da dúvida e da sensibilidade. Vemo-la chorar quando ouve Moro ler uma carta em voz alta. Diz que é de raiva, mas nós, deste lado do ecrã, sabemos que está a mentir.
Num sonho final, Chiara liberta Moro, enquanto os restantes membros das Brigadas dormem. Vemos Moro a passear na rua, com um ar de quem vai partir de novo para a vida. Mas, como se sabe, o fim foi de pesadelo.
O filme, escrito pelo próprio realizador, ganhou o prémio de melhor contribuição artística individual pelo argumento no Festival de Veneza, em 2003. O melhor da música dos Pink Floyd lá aparece como banda sonora.
O filme, escrito pelo próprio realizador, ganhou o prémio de melhor contribuição artística individual pelo argumento no Festival de Veneza, em 2003. O melhor da música dos Pink Floyd lá aparece como banda sonora.
junho 22, 2006
Travessias Digitais
No Travessias Digitais, o meu blogue temático, tenho falado de novidades em ciberjornais, na febre da chamada Web 2.0, na concentração dos media e em problemas que afectam o jornalismo português.
junho 21, 2006
Estrangeirismos and so on
Os linguistas portugueses deviam inventar, rapidamente e em força, um mata-moscas para dar cabo de umas melgas que andam por aí a enxamear o português preguiçoso:
"product placement", "project finance", "happy slapping", "news center", "car wash", "health center", "share" de não sei quantos por cento, "body building", "franchising", "cluster", "step", "fitness", "body combat", "body balance", "kickboxing", "Arrabida Place", "body pump", "personal training" (os ginásios abusam que se fartam), "downsizing", and so on.
junho 20, 2006
O mestre só
«Ensinar sem uma grave apreensão, sem uma reverência perturbada pelos riscos envolvidos, é uma frivolidade. Fazê-lo sem considerar as possíveis consequências individuais e sociais é cegueira. O grande ensino é aquele que desperta dúvidas, que encoraja a dissidência, que prepara o aluno para a partida («Agora deixa-me», ordena Zaratustra). No final, um verdadeiro Mestre deve estar só.»
George Steiner, As Lições dos Mestres
junho 11, 2006
Sakamoto: reaprender a ouvir
«No nosso estilo de vida a música é mais um produto de consumo. O excesso de música faz com que estabeleçamos com ela uma relação de quase indiferença. Pelo excesso, nivelamo-la de igual forma - a boa e a medíocre. Precisamos de silêncio (...) Temos de reaprender a ouvir. Saber estar no silêncio, é o princípio.»Ryuichi Sakamoto
junho 08, 2006
Flash deslumbrante
Quem, depois de ver e ouvir isto, disser mal da Web e dessas "modernices" da "Intermete", leva!
junho 03, 2006
Google Video com Sonny Rollins
O vídeo vai dando passos largos na Web. Os formatos diversificam-se, a oferta expande-se e até os solavancos nas imagens estão menos penosos.
Num dos passeios pelo ciberespaço, encontrei, no Google Video, um interessantíssimo mini-documentário (um trabalho em Flash), com a duração de dez minutos, sobre o lançamento do próximo álbum do colosso do saxofone Sonny Rollins:
Num dos passeios pelo ciberespaço, encontrei, no Google Video, um interessantíssimo mini-documentário (um trabalho em Flash), com a duração de dez minutos, sobre o lançamento do próximo álbum do colosso do saxofone Sonny Rollins:
junho 02, 2006
Um dia de cão
Muitos dos nossos iluminados deputados passam toda a legislatura em ambiente de silly season. Mas, quando a época balnear começa, a perturbação agrava-se. Pior agora, que andam todos desvairados com a selecção. Vai daí, sai disto:
«O PSD apresentou um projecto de resolução que visa a instituição de um "dia nacional do cão".»
Vossas Excelências querem mesmo ser levadas a sério?
maio 31, 2006
Esfaimados deputados
Depois da "balda da Páscoa", a "fominha do Mundial":
«Os cinco partidos com assento parlamentar acordaram ontem alterar a ordem de trabalhos da Assembleia da República, no próximo dia 21 de Junho, de forma a que a discussão plenária não coincida com a hora do jogo Portugal-México, a contar para o Mundial. A decisão, em conferência de líderes foi tomada por consenso, merecendo também a concordância do presidente da AR, Jaime Gama.» (DN)
A sorte destes esfaimados de bola, portentosos no tiro no pé parlamentar, é que estamos em Portugal. Já ninguém leva a mal...
maio 22, 2006
De olhares: Mitterrand e o jornalista
É um passeio pela história pessoal e política de François Mitterrand, mas é também a história de um jovem jornalista confrontado com a tarefa esmagadora de escrever as memórias daquele que foi uma das maiores figuras da história da França do século XX.Donde, Uma Viagem pela história, realizado por Robert Guédiguian, pode ser visto através de dois ângulos, ambos estimulantes: o político e o jornalístico.
De Mitterrand, o essencial é mostrado ou sugerido ao longo do filme: o passado político rico e nebuloso, a filha "clandestina", a personalidade forte e culta, a luta política feroz, incluindo com a sua própria família política, etc..
Já o jovem jornalista, empregado numa revista, é uma personagem hesitante, assustada e indecisa perante a figura do presidente da República. A tarefa de o biografar absorve-o de tal modo que acaba por se divorciar. Oscila entre o deslumbramento pela figura de Mitterrand e o imperativo profissional de o confrontar com a "verdade", sobretudo em relação ao passado de alegadas ligações ao regime de Vichy.
O filme, ao contrário do que se poderia supor, não é esmagado pela figura de Mitterrand (interpretado, de forma brilhante, por Michel Bouquet). O realizador opta por dar espaço também à personagem do jornalista. E às suas contradições.
maio 18, 2006
De ouvido: Lisa Gerrard
Deste rosto sai uma voz do outro mundo. E digo isto quase literalmente. Etérea, profunda, mística, planante. Do passado? Do futuro? Talvez intemporal.Chama-se Lisa Gerrard. Quem viu filmes como O Gladiador ou O Informador não estranhará tanto a sonoridade desta australiana que grava os seus discos mágicos no seu estúdio caseiro na Austrália rural.
Gerrard, que vem dos fabulosos Dead Can Dance, mistura muita coisa boa para os melhores ouvidos: Haendel, música iraniana, folk, ambiências mediterrânicas, asiáticas, árabes.
Aqui e ali, namora o canto gregoriano. Nos seus dois primeiros álbuns a solo, The Mirror Pool e Duality, há passagens que nos remetem, por exemplo, para a voz da soprano Montserrat Figueras, no magnífico El Cant de la Sibil-La (1400-1560), da editora AliaVox, de Jordi Savall.
Quando ouvida sem pruridos puristas ou limitações de casta musical, Gerrard é uma delícia absoluta. A luz de um bom par de velas é, por razões óbvias, um complemento indispensável à fruição melómana.
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