Há pelo menos duas coisas tocantes que Como se fosse o céu, filme do sueco Kay Pollak, nos mostra: a força da música na comunhão dos seres e a possibilidade da comunicação onde ela não existe.Tem um belíssimo final infeliz.
«Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra.» George Steiner
Há pelo menos duas coisas tocantes que Como se fosse o céu, filme do sueco Kay Pollak, nos mostra: a força da música na comunhão dos seres e a possibilidade da comunicação onde ela não existe.
Esta noite - chove bastante lá fora - bateram-me à porta do ouvido. Fui ver quem lá vinha. Era um velho grupo de amigos. Com um ar meio dos anos cinquenta, Miles, Coltrane e Evans perguntaram se podiam entrar e tocar um Kind of Blue, soprado de mansinho, no meu gira-discos. Oh, meus caros, e isso é pergunta que se faça?
História em vertigem de um homem e uma mulher que querem acabar com as suas vidas antes do tempo. O desespero do encontro. Desencontros. Desesperos. A descoberta do amor entre ruínas. Hamburgo em primeiro plano. Istambul pano de fundo. Tradição, religão. Modernidade, niilismo. Depeche Mode, Talk Talk. Banda sonora em interlúdios. Final infeliz.
Em matéria de luta contra o tabagismo, o Estado português encontra-se estagnado na Idade Média. A discussão pública sobre este problema é de uma debilidade confrangedora: quem não gosta de (nem tem de, note-se) gramar com a nicotina dos outros em restaurantes, locais de trabalho, comboios, aviões, escolas ou mesmo até em certos hospitais é acusado de ser "fundamentalista da saúde". Até por ilustres colunistas de jornal. Estamos nisto. É o politicamente correcto de pernas para o ar.
Andava à procura deste álbum, sem exagero, há quase duas décadas. Tinha de ser em vinil, o formato em que o passava na rádio lá da terra.
Nanni Moretti é, por assim dizer, muito cá de casa. Há muitos anos. O seu Querido Diário rompeu vezes sem conta o nosso pequeno ecrã. E há-de continuar a brilhar. Portanto, um novo filme deste singular realizador italiano é sempre um grande acontecimento.
Hoje é Dia Mundial do Teatro. Óptimo dia para assistirmos a mais um acto de uma farsa monumental pejada de actores francamente medíocres:
«E é de facto assim: não é que tenhamos uma vida curta; nós é que a tornamos escassa e não é que ela não nos seja concedida em abundância; nós é que a desperdiçamos.»
Ontem, ao fim da tarde, a Antena 2 recuperou uma entrevista feita a Jorge Sampaio. O ex-presidente trouxera discos lá de casa para partilhar com os ouvintes da melhor rádio de Portugal: Mozart, Schumann, Beethoven, John Coltrane, Leonard Cohen...
Este é dos tais filmes que dá para recomendar, sobretudo a jornalistas, estudantes de comunicação e docentes nesta área, de olhos fechados, isto é, sem ainda se ter visto: Boa Noite, e Boa Sorte, sob a batuta de George Clooney, teve uma estreia auspiciosa em Veneza. Estreia hoje nas salas portuguesas.