novembro 02, 2005

Roger Waters: Ça Ira

Os media generalistas portugueses ainda não deram por isso (ou terei sido eu a não dar por isso nos media?), mas já está disponível em Portugal o último trabalho discográfico de Roger Waters. Nada menos que... uma ópera.

Intitula-se Ça Ira e transporta-nos no tempo para o período da Revolução Francesa. O disco é mesmo catalogado com frases como "história operática da Revolução Francesa", em três actos.

Para já, ouvi, apressadamente, excertos. É mesmo ópera, longe dos ambientes sonoros do fabuloso, inigualável, um dos melhores álbuns conceptuais de sempre, Amused to Death.

Depois de uma audição mais apurada, voltaremos a Ça Ira aqui no Travessias. Porque discos destes não são só para ouvir. São, sobretudo, para degustar.


A ouvir:
Entrevista de Roger Waters à NPR

outubro 31, 2005

PRISMA.COM: uma nova revista académica

Acaba de nascer a revista académica PRISMA.COM. Trata-se de uma publicação online dedicada à investigação na intersecção da comunicação, informação, tecnologia e artes. É propriedade da unidade de investigação CETAC.COM (Centro de Estudos em Tecnologias, Artes e Ciências da Comunicação), da Universidade do Porto.Conforme se pode ler na 'Política Editorial' da nova revista, aqui são publicados artigos de natureza teórica, ensaística ou de comentário e reflexão, bem como trabalhos monográficos nos domínios das ciências, artes e tecnologias da comunicação e da informação.

Trabalhos de natureza empírica, recensões críticas da literatura própria destes domínios, noticiário sobre actividades em curso ou a desenvolver, bem como entrevistas e outros materiais de carácter informativo e de divulgação nestas áreas do conhecimento, têm também o seu espaço.

outubro 30, 2005

O pesadelo da fábrica de sonhos

Aqui e ali, vamos ouvindo, lendo sinais. O povo estará a ficar saturado do cinema pré-fabricado de Hollywood. As fórmulas repetem-se, até à náusea. E os estereótipos da coisa parecem cansados de velhos. Nas 'comédias românticas'. Nos dramas e melodramas. Na violência. Nas imagens de computador. Nos saltos na cadeira. No sexo que não chega a sê-lo. No cheiro das pipocas. Há um enfartamento de Big Mac's do celulóide.

Ainda na última Visão, João Mário Grilo escrevia, certeiro, sobre o assunto: «Há cada vez mais gente (e cada vez mais nova) saturada da monotonia americana e da progressiva inércia do seu cinema. Por paradoxal que possa parecer, é na reforma total deste quadro antigo e viciado que o cinema americano poderá encontrar condições para se libertar dos seus próprios bloqueios, afastando-se de rotinas e receitas comerciais completamente estafadas, que devem muito menos à arte e à criação do que à incompetência de funcionários e executivos sem chama, cujos gostos e interesses se replicam depois, como um vírus, pelo mundo inteiro, acolhidos pelo laxismo e temor dos diferentes governos nacionais.»

outubro 22, 2005

Shirley Horn

Um pequeno percurso no ciberespaço em busca da notícia sobre a morte de Shirley Horn: Público, DN, El País, Le Monde, Guardian... e nada. Nenhum destes europeus de referência parece ter dado grande valor-notícia ao passamento, aos 71 anos, de uma grande dama do jazz, que chegou a ser acompanhada de ilustríssimos desconhecidos, como Miles Davis, Toots Thielemans ou os irmãos Marsalis...

No The New York Times, lá está, em grande destaque, uma foto da cantora-pianista norte-americana, acompanhada de um lead sóbrio, mas de síntese perfeita: «Shirley Horn foi uma cantora única, com uma das mais lentas entregas no jazz e um modo muito pouco usual de frasear, pondo pressão sobre algumas palavras e deixando outras escapar.» Ouça-se o álbum You Won't Forget Me para o confirmar.

outubro 19, 2005

Nostalgia da simplicidade

«Não tenho Internet, não posso responder a ninguém. Não tenho e-mail e vivo em paz todos os dias.» Hayao Miyazaki, realizador de cinema de animação.

outubro 14, 2005

Quem fala assim é Nobel

«O facto é que o sr. Bush e o seu gang sabem o que estão a fazer e Blair, a não ser que seja o idiota iludido que frequentemente parece ser, também sabe o que eles estão a fazer. Bush e companhia estão determinados, muito simplesmente, a controlar o mundo e os recursos do mundo. E estão-se nas tintas para o número de pessoas que matam pelo caminho.»

Harold Pinter, Prémio Nobel da Literatura

outubro 13, 2005

Travessias Digitais

No Travessias Digitais, notas sobre a saída do director do Expresso e a crescente distância qualitativa que separa os jornais online espanhóis dos portugueses.

Blatter: um chuto certeiro na bola

Raras vezes se lê críticas tão certeiras vindas de gente de topo desse mundo esquizofrénico e irracional que é o da indústria do futebol:

«O presidente da FIFA, Joseph Blatter, critica o "capitalismo selvagem" que se instalou no futebol, e alerta para o perigo dos elevados investimentos. Em artigo no The Financial Times, Blatter também não poupa os atletas, considerando ser inadmissível que jogadores "com a educação incompleta ganhem 150 mil euros por semana". (DN)

outubro 07, 2005

Naxos: a qualidade compensa

A editora discográfica Naxos foi considerada Label of the Year pela Classic FM/Gramophone. Merecidíssimo.

Os discos da Naxos podem ser encontrados na parte das "séries económicas" das nossas lojas. Custam cinco, seis euros, mas o preço engana: as gravações têm, em geral, uma qualidade de gravação invejável e o catálogo é rico e diversificado, sobretudo na música clássica, onde podemos também encontrar compositores contemporâneos, como Phillip Glass ou Krzysztof Penderecki.

Para usar uma expressão hoje muito em voga, a relação qualidade/preço é imbatível.

Aqui ficam, a título de exemplo, três discos desta editora vivamente recomendados pelo Travessias:

Mass in C minor, K 427 'Great Mass', de Mozart

Orchestral Works, Volume 1, Symphonies Nos 1 and 2, de Samuel Barber

Violin Concerto, de Phillip Glass

outubro 05, 2005

Espanha marca

O Congresso espanhol aprovou uma lei que proíbe fumar nos locais de trabalho e em organizações a partir de Janeiro. Espanha dá mais um passo civilizacional (mais um...) em frente em relação a Portugal.

Sindicato caso de polícia

O Sindicato dos Profissionais de Polícia apelou a todos os profissionais da PSP para que não passem multas de trânsito até ao final do ano. E não há quem multe o sindicato por fazer um apelo tão criminoso como este?

setembro 30, 2005

Mediocridade e apatia

Das duas uma: ou o país está muito pior, ou apenas se está a ver melhor a si mesmo. A campanha para as autárquicas é um suceder diário de insultos, ameaças de agressão, agressões de facto e até um homicídio.

Pelo meio, proliferam insinuações, jogadas baixas, intimidações a adversários, populismo infantil (Gondomar, Felgueiras, Amarante...) e casos que vão seguir para tribunal, como no Porto.

O país espelha a sua mediocridade pública, perante a apatia das instituições e dos cidadãos.

setembro 28, 2005

Autoridade em causa

Artur Portela bateu com a porta na Alta Autoridade para a Comunicação Social, «em protesto contra o que considera ser a pressão do Governo para a alteração da metodologia de análise sobre a renovação das licenças de televisão.» (Público).

Portela explica que «o acto de um membro do Governo (Augusto Santos Silva) que convida o presidente de um órgão regulador - que é independente - para lhe dizer que as coisas devem ser feitas de certa forma e num determinado prazo, tem uma carga política».

A saída de Portela, numa altura em que a AACS está para acabar, vem adensar as suspeitas de intromissão do governo (sempre negada pelo mesmo) no processo de renovação das licenças dos canais privados, de modo a facilitar o negócio da venda da TVI ao grupo espanhol Prisa. A confirmarem-se, são gravíssimas.

Ora, este avolumar de suspeição tem, a prazo, pelo menos uma consequência: envenenar irremediavelmente o nascimento da Entidade Reguladora da Comunicação Social.

setembro 22, 2005

Público.pt e sítio da Impresa

Últimas do Travessias Digitais: dez anos do Público.pt e notas sobre o sítio maisautárquicas.com.

Tiques e traumas

Depois de conhecidos todos os cantos à Casa da Música, pela mão de uma guia sóbria e competente, a pergunta que nos fica é esta: estará o Porto à altura de um casarão destes? Isto é, terá a cidade e os seus arredores pedalada para aproveitar e manter todo o potencial deste magnífico pólo cultural?

Vamos ver. Há, no entanto, pequenos pormenores, aparentemente inócuos, que nos fazem temer o pior sobre certas abordagens elitistas a esta casa que se quer de todas as músicas. A certa altura da visita, a guia explica-nos que o camarote VIP foi implantado na sala principal por insistência de responsáveis da Porto 2001, contra a vontade do arquitecto, que, como bom holandês, o que quer mesmo é misturas descomplexadas. Mas não. Certa elite cultural do Porto fez mesmo questão de arranjar um espaço para poder mostrar ao povo quem está sempre acima da maralha.

Há tiques e traumas que a história não consegue apagar.