outubro 19, 2005

Nostalgia da simplicidade

«Não tenho Internet, não posso responder a ninguém. Não tenho e-mail e vivo em paz todos os dias.» Hayao Miyazaki, realizador de cinema de animação.

outubro 14, 2005

Quem fala assim é Nobel

«O facto é que o sr. Bush e o seu gang sabem o que estão a fazer e Blair, a não ser que seja o idiota iludido que frequentemente parece ser, também sabe o que eles estão a fazer. Bush e companhia estão determinados, muito simplesmente, a controlar o mundo e os recursos do mundo. E estão-se nas tintas para o número de pessoas que matam pelo caminho.»

Harold Pinter, Prémio Nobel da Literatura

outubro 13, 2005

Travessias Digitais

No Travessias Digitais, notas sobre a saída do director do Expresso e a crescente distância qualitativa que separa os jornais online espanhóis dos portugueses.

Blatter: um chuto certeiro na bola

Raras vezes se lê críticas tão certeiras vindas de gente de topo desse mundo esquizofrénico e irracional que é o da indústria do futebol:

«O presidente da FIFA, Joseph Blatter, critica o "capitalismo selvagem" que se instalou no futebol, e alerta para o perigo dos elevados investimentos. Em artigo no The Financial Times, Blatter também não poupa os atletas, considerando ser inadmissível que jogadores "com a educação incompleta ganhem 150 mil euros por semana". (DN)

outubro 07, 2005

Naxos: a qualidade compensa

A editora discográfica Naxos foi considerada Label of the Year pela Classic FM/Gramophone. Merecidíssimo.

Os discos da Naxos podem ser encontrados na parte das "séries económicas" das nossas lojas. Custam cinco, seis euros, mas o preço engana: as gravações têm, em geral, uma qualidade de gravação invejável e o catálogo é rico e diversificado, sobretudo na música clássica, onde podemos também encontrar compositores contemporâneos, como Phillip Glass ou Krzysztof Penderecki.

Para usar uma expressão hoje muito em voga, a relação qualidade/preço é imbatível.

Aqui ficam, a título de exemplo, três discos desta editora vivamente recomendados pelo Travessias:

Mass in C minor, K 427 'Great Mass', de Mozart

Orchestral Works, Volume 1, Symphonies Nos 1 and 2, de Samuel Barber

Violin Concerto, de Phillip Glass

outubro 05, 2005

Espanha marca

O Congresso espanhol aprovou uma lei que proíbe fumar nos locais de trabalho e em organizações a partir de Janeiro. Espanha dá mais um passo civilizacional (mais um...) em frente em relação a Portugal.

Sindicato caso de polícia

O Sindicato dos Profissionais de Polícia apelou a todos os profissionais da PSP para que não passem multas de trânsito até ao final do ano. E não há quem multe o sindicato por fazer um apelo tão criminoso como este?

setembro 30, 2005

Mediocridade e apatia

Das duas uma: ou o país está muito pior, ou apenas se está a ver melhor a si mesmo. A campanha para as autárquicas é um suceder diário de insultos, ameaças de agressão, agressões de facto e até um homicídio.

Pelo meio, proliferam insinuações, jogadas baixas, intimidações a adversários, populismo infantil (Gondomar, Felgueiras, Amarante...) e casos que vão seguir para tribunal, como no Porto.

O país espelha a sua mediocridade pública, perante a apatia das instituições e dos cidadãos.

setembro 28, 2005

Autoridade em causa

Artur Portela bateu com a porta na Alta Autoridade para a Comunicação Social, «em protesto contra o que considera ser a pressão do Governo para a alteração da metodologia de análise sobre a renovação das licenças de televisão.» (Público).

Portela explica que «o acto de um membro do Governo (Augusto Santos Silva) que convida o presidente de um órgão regulador - que é independente - para lhe dizer que as coisas devem ser feitas de certa forma e num determinado prazo, tem uma carga política».

A saída de Portela, numa altura em que a AACS está para acabar, vem adensar as suspeitas de intromissão do governo (sempre negada pelo mesmo) no processo de renovação das licenças dos canais privados, de modo a facilitar o negócio da venda da TVI ao grupo espanhol Prisa. A confirmarem-se, são gravíssimas.

Ora, este avolumar de suspeição tem, a prazo, pelo menos uma consequência: envenenar irremediavelmente o nascimento da Entidade Reguladora da Comunicação Social.

setembro 22, 2005

Público.pt e sítio da Impresa

Últimas do Travessias Digitais: dez anos do Público.pt e notas sobre o sítio maisautárquicas.com.

Tiques e traumas

Depois de conhecidos todos os cantos à Casa da Música, pela mão de uma guia sóbria e competente, a pergunta que nos fica é esta: estará o Porto à altura de um casarão destes? Isto é, terá a cidade e os seus arredores pedalada para aproveitar e manter todo o potencial deste magnífico pólo cultural?

Vamos ver. Há, no entanto, pequenos pormenores, aparentemente inócuos, que nos fazem temer o pior sobre certas abordagens elitistas a esta casa que se quer de todas as músicas. A certa altura da visita, a guia explica-nos que o camarote VIP foi implantado na sala principal por insistência de responsáveis da Porto 2001, contra a vontade do arquitecto, que, como bom holandês, o que quer mesmo é misturas descomplexadas. Mas não. Certa elite cultural do Porto fez mesmo questão de arranjar um espaço para poder mostrar ao povo quem está sempre acima da maralha.

Há tiques e traumas que a história não consegue apagar.

setembro 19, 2005

De olhares: do mestre Yimou

O Segredo dos Punhais Voadores, de Zhang Yimou, é daqueles filmes que apetece rever logo na noite a seguir. Belíssimo. Apesar do título enganador...

setembro 17, 2005

Quem tem medo da Prisa?

Pôr a TVI nas mãos da Igreja foi um enorme erro patrocinado por um governo de direita, ao tempo de Cavaco. A gestão beata do canal revelou-se penosa. A tabloidização comercial pela mão de Moniz aumentou substancialmente os níveis de poluição televisiva e degradação jornalística. Depois disto tudo, a direita portuguesa ainda tem medo dos espanhóis?

setembro 13, 2005

De leituras: 'Internet, o Êxtase Inquietante'

No Travessias Digitais escrevo sobre um pequeno, mas provocante, livro: Internet: o Êxtase Inquietante.

Incidentes

Num shopping, um homem come a sopa com a mão direita enquanto com a esquerda bate furiosamente as teclas do telemóvel.

Uma mulher, parada num cruzamento, dentro de um Fiat Uno, avança com o vermelho do semáforo ainda bem carregado. Charlava calmamente ao telemóvel, por ali fora.

Uma miúda quase atropela os transeuntes, colada que vai ao SMS.