O Segredo dos Punhais Voadores, de Zhang Yimou, é daqueles filmes que apetece rever logo na noite a seguir. Belíssimo. Apesar do título enganador...setembro 19, 2005
De olhares: do mestre Yimou
O Segredo dos Punhais Voadores, de Zhang Yimou, é daqueles filmes que apetece rever logo na noite a seguir. Belíssimo. Apesar do título enganador...setembro 17, 2005
Quem tem medo da Prisa?
Pôr a TVI nas mãos da Igreja foi um enorme erro patrocinado por um governo de direita, ao tempo de Cavaco. A gestão beata do canal revelou-se penosa. A tabloidização comercial pela mão de Moniz aumentou substancialmente os níveis de poluição televisiva e degradação jornalística. Depois disto tudo, a direita portuguesa ainda tem medo dos espanhóis?
setembro 13, 2005
De leituras: 'Internet, o Êxtase Inquietante'
No Travessias Digitais escrevo sobre um pequeno, mas provocante, livro: Internet: o Êxtase Inquietante.
Incidentes
Num shopping, um homem come a sopa com a mão direita enquanto com a esquerda bate furiosamente as teclas do telemóvel.
Uma mulher, parada num cruzamento, dentro de um Fiat Uno, avança com o vermelho do semáforo ainda bem carregado. Charlava calmamente ao telemóvel, por ali fora.
Uma miúda quase atropela os transeuntes, colada que vai ao SMS.
Uma mulher, parada num cruzamento, dentro de um Fiat Uno, avança com o vermelho do semáforo ainda bem carregado. Charlava calmamente ao telemóvel, por ali fora.
Uma miúda quase atropela os transeuntes, colada que vai ao SMS.
setembro 09, 2005
Expresso Online e Google Talk
No Travessias Digitais, notas breves sobre o Google Talk e mudanças no Expresso Online.
setembro 07, 2005
De olhares: imagens de Bravo
No Centro Português de Fotografia, no Porto, as imagens a preto e branco de Manuel Alvarez Bravo convidam a um olhar desapressado e atento. Há rostos, paisagens, enquadramentos e pormenores de mestre que nos ficam na retina.
Deste fotógrafo mexicano, que atravessou quase todo o século XX, disse Kertesz que "nasceu com o feeling fotográfico". Isso mesmo pode ser confirmado nas revelações expostas nas imponentes paredes carregadas de história da Cadeia da Relação. Mais que apenas observá-las, Bravo tem esse talento raro de nos fazer sentir as suas fotos.
Deste fotógrafo mexicano, que atravessou quase todo o século XX, disse Kertesz que "nasceu com o feeling fotográfico". Isso mesmo pode ser confirmado nas revelações expostas nas imponentes paredes carregadas de história da Cadeia da Relação. Mais que apenas observá-las, Bravo tem esse talento raro de nos fazer sentir as suas fotos.
setembro 04, 2005
De ouvido: joalharia melódica
Primeiras impressões sobre o álbum Hope in a Darkened Heart, de Virginia Astley: simples, mas belíssima voz; os temas são bem mais "concretos" que as paisagens sonoras do marcante From Gardens Where We Feel Secure; o disco tem a (excelente) marca e o piano de Ryuichi Sakamoto; e, com a voz de David Sylvian a ajudar logo na primeira canção, como resistir a esta pequena e rara jóia, pô?
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setembro 02, 2005
Katrina: NYT demole Bush
A propósito da frouxa e tardia resposta da administração Bush à catástrofe provocada pelo Katrina, Paul Krugman, professor da Universidade de Princeton, faz hoje, no The New York Times, as seguintes perguntas: por que é que a ajuda e a segurança demoraram tanto tempo a chegar? Por que não foi tomada mais acção preventiva? A administração Bush destruiu a eficácia da Agência Federal de Emergência?
Pelo meio destas três perguntas, Krugman demole por completo a moleza de Bush, concluindo a sua coluna desta maneira: «Assim, a América, outrora famosa pela sua atitude de posso-fazer, agora tem um governo não-posso-fazer que arranja desculpas em vez de fazer o seu papel. E enquanto arranja essas desculpas, americanos estão a morrer.»
Ontem, o editorial do Times não era mais simpático para Bush. Bem pelo contrário. Título: Waiting for a leader. Eis um jornal na calha para entrar no Eixo do Mal...
Pelo meio destas três perguntas, Krugman demole por completo a moleza de Bush, concluindo a sua coluna desta maneira: «Assim, a América, outrora famosa pela sua atitude de posso-fazer, agora tem um governo não-posso-fazer que arranja desculpas em vez de fazer o seu papel. E enquanto arranja essas desculpas, americanos estão a morrer.»
Ontem, o editorial do Times não era mais simpático para Bush. Bem pelo contrário. Título: Waiting for a leader. Eis um jornal na calha para entrar no Eixo do Mal...
No Travessias Digitais: Katrina: recursos online
Iraque, o desastre
O Iraque é notícia quase todos os dias pelas piores razões possíveis. Há sempre morte, sangue e caos para relatar. Chegados a esta altura, já toda a gente percebeu, excepto Bush e os seus obtusos neocons, que os EUA estão atolados numa grandessíssima trapalhada, ainda por cima mais cara, em termos financeiros, que o terrível Vietname. Como conseguiu esta administração norte-americana ser tão cega? Ou, mais prosaicamente, tão burra? Como cometeu semelhantes erros de cálculo? Por que mentiu tão descarada e empoladamente ao mundo? Numa pergunta: porquê?Para se perceber como se chegou a este desastre total, que os mais avisados antecipavam antes mesmo da invasão, ilegal, do Iraque, a leitura do livro Iraque: História de um Desastre, de Ignacio Ramonet, é de leitura obrigatória.
Com a clareza e acutilância do costume, o director do Monde Diplomatique vai ao fundo dos interesses, quase sempre obscuros ou descaradamente oportunistas, daqueles que fizeram a cabecinha do presidente norte-americano: Cheney, Rumsfeld, Wolfowitz e outras tantas figuras sinistras que não aprenderam nada com a história e fomentaram o delírio militarista na Mesopotâmia.
«Está longe o tempo em que os "falcões" do Pentágono anunciavam que as forças de invasão seriam recebidas como libertadoras... Mas este colossal erro de análise está na origem da actual desordem. Embriagados de poder, os ideólogos de Washington tinham pressa em usar a terrível máquina de guerra norte-americana para realizarem o seu sonho delirante de "redesenhar o Médio Oriente". Tudo se volta agora contra eles.»
Leitura incontornável para quem não queira andar em manada, portanto.
agosto 25, 2005
Uma urbana entrevista
O vereador do Urbanismo da Câmara do Porto conseguiu hoje, com a entrevista que deu à Visão, quebrar a modorra temática jornalística de Agosto, feita à base de um concentrado monótono de incêndios, OTA e TGV e presidenciais.
Paulo Morais disse em voz alta aquilo que toda a gente sabe, mas prefere ver um bom punhado de jogos de bola para esquecer: muitas câmaras estão na mão de interesses imobiliários, que pagam as campanhas dos candidatos para que estes, uma vez eleitos, retribuam os favores e assim rebentem alegremente com as cidades, vilas e aldeias de Portugal.
«O Urbanismo é, na maioria das câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para a mão de privados.» Estará o homem, zangado com o PSD local e a dar-lhe assim uma bofetada de luva branca, a exagerar?
«Nas mais diversas câmaras do país há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais». Isto, para quem olha minimamente para o país, salta à vista.
«As estruturas corporativas são hoje muito mais fortes porque têm uma aparente legitimidade democrática. Se os vereadores do Urbanismo são os coveiros da democracia, os partidos são as casas mortuárias». Esta bordoada só peca por defeito.
«Existe uma preocupante promiscuidade entre diversas forças políticas, dirigentes partidários, famosos escritórios de advogados e certos grupos empresariais». É mentira?
Nada disto é particularmente novo. Só que, como acontece no mundo podre do futebol, quando alguém resolve falar, cai o carmo e a trindade. E logo aparecem a retórica de fachada e o ar de virgem ofendida, bem personalizados em Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios, que desafia Morais a avançar com casos e nomes, questionando ao mesmo tempo «o tempo e o modo» da entrevista. O Natal, seria uma boa altura para falar nisto?
Poderá, obviamente, questionar-se os objectivos da entrevista do ainda vice-presidente da Câmara do Porto, que, em matéria de urbanismo e cedência a interesses, também não é propriamente santa: recordemos, a título de exemplo, as cedências duvidosas feitas ao Boavista para alargar a área construtiva de um empreeendimento...
Mas o que não pode negar-se é que os problemas que Morais aponta e denuncia são gravíssimos e da maior relevância para a vida pública do país. Ainda bem que o Ministério Público mostrou vontade de arregaçar as mangas.
O problema é que daqui a quinze dias já toda a gente andará entretida com a guerra entre Soares e Cavaco e a coisa morre ali assim debaixo do tapete. Como Fernando Ruas gostará.
A ler:
A polémica do lóbi imobiliário
Paulo Morais disse em voz alta aquilo que toda a gente sabe, mas prefere ver um bom punhado de jogos de bola para esquecer: muitas câmaras estão na mão de interesses imobiliários, que pagam as campanhas dos candidatos para que estes, uma vez eleitos, retribuam os favores e assim rebentem alegremente com as cidades, vilas e aldeias de Portugal.
«O Urbanismo é, na maioria das câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para a mão de privados.» Estará o homem, zangado com o PSD local e a dar-lhe assim uma bofetada de luva branca, a exagerar?
«Nas mais diversas câmaras do país há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais». Isto, para quem olha minimamente para o país, salta à vista.
«As estruturas corporativas são hoje muito mais fortes porque têm uma aparente legitimidade democrática. Se os vereadores do Urbanismo são os coveiros da democracia, os partidos são as casas mortuárias». Esta bordoada só peca por defeito.
«Existe uma preocupante promiscuidade entre diversas forças políticas, dirigentes partidários, famosos escritórios de advogados e certos grupos empresariais». É mentira?
Nada disto é particularmente novo. Só que, como acontece no mundo podre do futebol, quando alguém resolve falar, cai o carmo e a trindade. E logo aparecem a retórica de fachada e o ar de virgem ofendida, bem personalizados em Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios, que desafia Morais a avançar com casos e nomes, questionando ao mesmo tempo «o tempo e o modo» da entrevista. O Natal, seria uma boa altura para falar nisto?
Poderá, obviamente, questionar-se os objectivos da entrevista do ainda vice-presidente da Câmara do Porto, que, em matéria de urbanismo e cedência a interesses, também não é propriamente santa: recordemos, a título de exemplo, as cedências duvidosas feitas ao Boavista para alargar a área construtiva de um empreeendimento...
Mas o que não pode negar-se é que os problemas que Morais aponta e denuncia são gravíssimos e da maior relevância para a vida pública do país. Ainda bem que o Ministério Público mostrou vontade de arregaçar as mangas.
O problema é que daqui a quinze dias já toda a gente andará entretida com a guerra entre Soares e Cavaco e a coisa morre ali assim debaixo do tapete. Como Fernando Ruas gostará.
A ler:
A polémica do lóbi imobiliário
agosto 24, 2005
O sonho de Oz
Deve ser bem difícil ser lúcido num país povoado de "loucos de deus", que querem, à força, construir um "Grande Israel" à imagem do seu fanatismo religioso acéfalo. O escritor israelita Amos Oz escreve hoje um texto brilhante no Público, a propósito da recente retirada dos colonos da Faixa de Gaza.
Começa assim: «Os colonos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia têm um sonho para o futuro de Israel. Também eu tenho um sonho para o futuro de Israel. Mas o doce sonho deles é o meu pesadelo, enquanto os meus sonhos são, para eles, veneno.»
O sonho dos colonos é criar colonatos colados um aos outros, onde só os judeus podem viver e os palestinianos só lá podem trabalhar. O sonho de Oz é «totalmente diferente da fantasia religiosa dos colonos. Queremos viver em paz e em liberdade, mas não sob o poder dos rabis, nem sequer sob o poder do Messias, mas sujeitos a um governo eleito por nós. Temos um sonho de nos libertarmos da longa ocupação dos territórios palestinianos.»
O sonho de Amos Oz é o sonho de toda a gente adulta e civilizada por esse mundo fora.
Começa assim: «Os colonos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia têm um sonho para o futuro de Israel. Também eu tenho um sonho para o futuro de Israel. Mas o doce sonho deles é o meu pesadelo, enquanto os meus sonhos são, para eles, veneno.»
O sonho dos colonos é criar colonatos colados um aos outros, onde só os judeus podem viver e os palestinianos só lá podem trabalhar. O sonho de Oz é «totalmente diferente da fantasia religiosa dos colonos. Queremos viver em paz e em liberdade, mas não sob o poder dos rabis, nem sequer sob o poder do Messias, mas sujeitos a um governo eleito por nós. Temos um sonho de nos libertarmos da longa ocupação dos territórios palestinianos.»
O sonho de Amos Oz é o sonho de toda a gente adulta e civilizada por esse mundo fora.
agosto 19, 2005
Jarrett leva a melhor
Tarde abafada de Agosto. Um alfarrabista, escondido numa ruazinha estreita do Porto, espera-me deserto de gente. Nas prateleiras, uma mão cheia de bons velhos discos de vinil a pedir compra: The Cure? The Tubes? Camel? Yes?. Somewhere Before, colheita de 1968, de Keith Jarrett, leva a melhor. Por 4 euros. Nada mau para um país de gananciosos.agosto 18, 2005
De 1945 ao Iraque
«Apoiar ditadores, vê-los tomar o poder depois de terem derrubado experiências democráticas - a partir de 1945, as administrações norte-americanas fizeram isso muitas vezes. Ajudaram, financiaram, armaram, protegeram dezenas de ditadores e de autocratas em todo o mundo, como por exemplo, o general Franco em Espanha, Salazar em Portugal, o coronéis na Grécia, o general Gemal Gursel na Tunísia, o rei Hussein na Jordânia, rei Hassan II em Marrocos, a dinastia Saud na Arábia Saudita, o general Mubarak no Egipto, o general Zia ul-Haq no Paquistão, o general Chang Kai-Chek em Taiwan, o general Park Chung Hee na Coreia do Sul, Marcos nas Filipinas, o general Suharto na Indonésia, o xá Pahlavi no Irão, Somoza na Nicarágua, Batista em Cuba, Duvalier no Haiti, Trujilo em São DOmingos, Pinochet no Chile, Mobutu no Congo-Zaire, Idi Amin Dada no Uganda, o regime do apartheid na África do Sul, etc.»
Ignacio Ramonet em Iraque: História de um Desastre.
Ignacio Ramonet em Iraque: História de um Desastre.
agosto 04, 2005
DN: de mudança em mudança...
No Travessias Digitais, escrevo sobre as últimas novidades do Diário de Notícias.
julho 31, 2005
De olhares: banho de imersão
A propósito de Última Vida no Universo, do realizador tailandês Pen-Ek Ratanaruang, Francisco Ferreira escrevia, na revista do Expresso do passado dia 23, que se trata de um filme «que não se afasta da melancolia de estilo onde continua a cair muito do actual cinema oriental.»Espero que não tenha sido intenção do crítico atribuir à expressão «continua a cair» tom pejorativo. Pois ainda bem que temos cinema melancólico, venha ele de onde vier. Para tiros, explosões, sustos, monstros, perseguições e defeitos especiais, já basta Hollywood. Basta!
Última Vida no Universo passou pelo festival de Veneza, em 2003, mas não pelas salas de cinema em Portugal. Foi directo para DVD. Francisco Ferreira chama-lhe, e bem, «um longo banho de imersão.»
É um banho que, com a disposição de espírito certa, vale a pena saborear. Viva a melancolia!
Outros belos melancólicos orientais recentes:
2046, de Wong Kar-Wai
Disponível para Amar, de Wong Kar-Wai
Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera, de Kim-Ki Duk
Dolls, de Takeshi Kitano
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