janeiro 23, 2005

"Nós, os Media"

Ora aí está um livrinho a pedir para ser lido: Nós, os Media, de Dan Gillmor, em boa hora publicado pela Editorial Presença, de quem tomo de empréstimo a sinopse desta obra:

Neste livro,«o foco da atenção incide nas novas possibilidades da Era da Comunicação Global. Actualmente, os grandes media como jornais, canais televisivos, rádio, geralmente propriedade de monopólios, começam a ver os seus poderes ameaçados devido às consequências da crescente facilidade com que se acede à Internet e às ferramentas que ela disponibiliza a custos reduzidos. Invertendo os papéis, esta nova revolução tecnológica, permite que os utilizadores passem a ser eles próprio produtores de notícias e outros conteúdos, dando origem a uma espécie de jornalismo cívico».

«Gillmor analisa este fenómeno com grande clareza e conhecimento de causa, e mostra como é que as salas de conversa (chats), os fóruns, emails e listas de emails, e, acima de tudo, os weblogues, levaram a que o cidadão anónimo possa comunicar em tempo real e em interacção com muitos outros produtores, situados em espaços geográficos diferenciados. (...) Gillmor aprofunda esta dinâmica em múltiplas direcções e questiona as suas possíveis evoluções à medida que forem surgindo tecnologias cada vez mais aperfeiçoadas. Alerta sobre as potencialidades e perigos desta mudança, e o seu impacto sobre as formas de organização da vida social.»

Dan Gillmor's eJournal

janeiro 22, 2005

O verdadeiro humorista

Qual Jay Leno qual quê! O verdadeiro humorista da América chama-se Michael Moore e passa hoje, com o seu "show" pertinentemente crítico, divertido e corrosivo, no canal por cabo AXN, às 16 horas.

A televisão dos nossos dias é assim: temos de andar a pescar umas poucas pérolas no meio de toneladas de lama e lixo.

janeiro 20, 2005

Os custos do "lambe-botismo"

Os autarcas Fernando Gomes e Nuno Cardoso deram autênticos festivais de lambe-botismo em relação ao Futebol Clube do Porto quando estiveram à frente da Câmara da Invicta. O primeiro já foi falado para suceder a Pinto da Costa (por que será?). O segundo está a provar o sabor de um ditado por inventar: cá se lambem, cá se pagam.

Citações filosóficas

«A inveja (em Portugal) é mais do que um sentimento. É um sistema. E não é apenas individual: criam-se grupos de inveja.» José Gil Público (16.01.2005)

«A vida quotidiana dos cidadãos está hoje ligada a aparelhos técnicos, estamos a fazer do ser vivo uma espécie de máquina técnica.» Bernard Stiegler in Expresso (15.01.2005)

janeiro 14, 2005

As salas dos milhões

Ora, façamos assim uma contabilidade rápida e rudimentar: as cidades do Porto, Gondomar, Maia, Matosinhos e Vila Nova de Gaia têm, juntas, 64 salas principais de cinema. Em 58 delas, estão a ser exibidos filmes norte-americanos. Basta consultar, por exemplo, o cartaz de cinema de hoje do jornal Público. Em Gondomar e Maia, a ocupação de cinema «made in USA» é de 100 por cento!

Agora, no mesmo jornal, uma espreitadela à programação cinematográfica das televisões nacionais. Dos nove filmes previstos para hoje na RTP1, SIC, TVI, Canal Hollywood e Lusomundo Premium, oito são norte-americanos. Salva-se O Nome da Rosa, uma co-produção entre a Alemanha, a França e a Itália...

Ora, se este panorama absolutista, esmagador de um ponto de vista estético, narrativo, cultural, linguístico e até mental, é bom para as cabecinhas que enchem as salas dos shoppings do Grande Porto e se enterram nos sofás televisivos do país, vou ali e venho já.

Ignacio Ramonet escreveu, há alguns anos, um livrinho, por alguns considerado exagerado e algo «conspirativo», em que denunciava precisamente este lamentável estado de coisas, no cinema, na televisão, na publicidade.

Em Propagandas Silenciosas, o director de Le Monde Diplomatique escreve que «a americanização dos nossos espíritos está de tal maneira avançada que denunciá-la, para alguns, parece cada vez mais inaceitável (...) A americanização penetra-nos pelos olhos. Com a temível eficácia de uma propaganda silenciosa.» E ainda: «Muitos cidadãos europeus são uma espécie de “transculturais”, mistos irreconciliáveis, possuindo um espírito americano numa pele de europeu. (...) O cinema, como se sabe, não contribuiu pouco para este estado de coisas.» O livro merece, inteiramente, uma releitura urgente.

Está na altura de gritar bem alto aos ouvidos dos distribuidores e programadores de cinema aquele slogan célebre dos Monty Python: e agora para algo completamente diferente!

Mas há sempre aquele probleminha do dinheiro, não é?...

janeiro 09, 2005

O Parlamento deles

E não é que António Barreto, infelizmente, acerta em cheio?

«Esta semana, o Parlamento foi nomeado. Três cavalheiros, Santana, Sócrates e Portas, nomearam pessoalmente cerca de 80 deputados. Visto de outro modo, mais ou menos 5.000 pessoas dos cinco partidos, reunidas em comissões locais ou nacionais, nomearam 190 deputados, ou seja, a quase totalidade do Parlamento que entra em funções dentro de seis semanas.» (in Público, 9.01.2005)

janeiro 07, 2005

Oportunistas de poder

A forma oportunista e populista como os dois partidos "de poder" (PSD e PS) elaboram as suas listas, propondo-nos o voto em figuras, ora gastas, ora gritantemente ineptas para o serviço à causa pública, é vergonhosa. Um convite ao voto em branco, à abstenção, ao voto nos pequenos partidos. Um belo contributo mais para a alienação dos cidadãos em relação à política.

Estes republicanos e democratas à moda lusitana deixam muito a desejar. O problema é que, com os seus erros de palmatória, perdemos nós todos.

janeiro 02, 2005

40 segundos

O filme de fim de tarde da SIC, sobre a história de um gigolo de ocasião chamado Bigelow, teve direito a uma daqueles avisos que corre na parte superior do ecrã: por motivos técnicos o telejornal iria sofrer um atraso de 40 segundos. Ena! 40 segundos!

Para o comum dos telespectadores, 40 segundos não é nada, o aviso torna-se absolutamente redundante. Para quem vive obcecado com a concorrência, com as flutuações das audiências, com o pânico do zapping, 40 segundos é uma infernal eternidade.

dezembro 23, 2004

Pirataria viral

Há vírus e vírus. Há vermes que nos dão cabo do computador e nos limitam a blogação. Há outros que infectam o país e nos deixam péssima impressão.

Por exemplo, aqueles trojans que nos aparecem no ecrã com nomes como lopes.exe ou portas.exe devem ser imediatamente apagados. Antes que nos façam mais estragos. São muito perigosos. Sampaio não actuou de imediato e, ao fim de quatro meses, quando lá se decidiu a instalar a última versão do McAfee no Portugal Pentium I (versão, obviamente, ultrapassada em relação ao resto da Europa), já tinha a máquina toda infectada pela pirataria instalada em São Bento...


novembro 30, 2004

Uff...

A partir de hoje, após quatro meses para o país apagar da sua memória colectiva, Portugal volta a poder respirar. Sampaio, escaldado, aproveitou o pontapé que o ministro do Desporto deu na incubadora deste governo infantil para acabar com a pândega circense que se havia instalado.

Santana Lopes vai concorrer às eleições. Está bem. Vê-se que aprendeu pouco ou nada com o borrada política que andou a fazer nas últimas semanas. Deve pensar que os eleitores portugueses são todos como aquela turba ululante, um nada acéfala, com que lidava nas assembleias gerais do Sporting ou nos congressos partidários.

Façamos votos para que, em Fevereiro de 2005, o país regresse ao século XXI, de onde nunca deveria ter saído pela mão de Lopes, Portas, santanettes várias e companhia, quase toda muito pouco recomendável.

novembro 28, 2004

Venham cavacos. O país precisa.

Cavaco Silva escreve esta semana no Expresso um texto absolutamente arrasador para a classe política no activo. Santana Lopes deve ter ficado com vontade de mandar fechar o semanário de Balsemão, mas uma Cinha qualquer deve ter dito ao homem que S. Bento não é bem a mesma coisa que o concurso A Cadeira do Poder.

O grave é que Cavaco está coberto de razão, em particular quando diz que os políticos incompetentes devem ser corridos por quem sabe. Soares também, quando pinta de muito negro o presente deste quintal de dez milhões de almas meio perdidas. Guterres acerta em cheio quando fala do circo entre os média e a política. Durão não pode dizer nada porque fugiu, o covarde.

A Cavaco, a Soares, a Guterres já chamaram os nomes feios todos que o dicionário tem. Algumas vezes, com razão. Mas, agora que os portugueses provaram o bom que é terem uns totós de alto astral e inteligência subterrânea a dirigi-los, aqueles "velhos" políticos parecem vir de outra galáxia, onde ainda existem alguns princípios, alguma verticalidade, decência, respeitabilidade, sentido de serviço à causa pública, enfim, maturidade, apesar de tudo. Venham eles outra vez. Soares, Cavaco, Guterres, Freitas, a presidente ou primeiro-ministro. Qualquer um destes veneráveis políticos é um senhor quando comparado com os cachopos que hoje se comem vivos uns aos outros nos bastidores esquizofrénicos da nossa cosmopolita vida política lisboeta.

Andou tanta gente a sacrificar-se no século XX para chegarmos a isto?

novembro 25, 2004

Alarmices

Anda por aí muito boa gente com medo de que o poder caia na rua. Ora, não há, em rigor, razões para tanto alarme. É que, nos últimos meses, o poder já caiu. Num esgoto.

novembro 19, 2004

A caminho de 2046

Este é dos tais filmes que nos conquista mesmo antes de ser visto. 2046, do realizador Wong Kar Wai, acaba de estrear nas salas portuguesas.
Na Web, o site oficial de 2046 é uma pequena obra-prima de design, forma e cor. Vale a pena espreitá-lo. Quanto mais não seja, como aperitivo para a verdadeira fita.

novembro 18, 2004

A cor das notícias

O lapso de tempo entre a saída de Marcelo da TVI e o relatório agora apresentado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social é, a vários títulos, histórico para a comunicação social em Portugal. A partir daqui, algumas coisas nunca serão como dantes. E ainda bem.

O caso Marcelo acabou por ser o detonador de várias bombas que estavam, há muito, à espera de rebentar. E só não explodiram antes porque os media sempre tiveram o cuidado de não apontar o dedo a si próprios e também o de dificultarem a vida a quem o quisesse fazer, tanto a partir de dentro, como de fora.

Deste curto período, a TVI sai chamuscada. Paes do Amaral ficou com a sua imagem de empresário manchada pelo calculismo e oportunismo e, diga-se, por alguma ingenuidade demonstrada na gestão deste imbróglio.

O governo, se já andava a dar canhoadas nos pés a toda a hora, enterrou-se até ao pescoço com as "bocas" infelizes de Gomes da Silva e de Morais Sarmento. Este passou a ser o governo da "censura" e do "controlo" da comunicação social, o governo da colocação dos seus "boys" em jornais, rádios e na televisão pública. A demissão, em bloco, da direcção da RTP é uma espécie de corolário lógico destas semanas loucas. Acresce que Santana e os seus muchachos fizeram tudo isto com um inacreditável amadorismo. Das nódoas desta barraca, não se livram tão cedo.

Mas quem, talvez, sai pior na fotografia é a PT. Cometeu muitos erros em muito pouco tempo, agravou-os, aos olhos de toda a gente, de forma grosseira (a forma como foram demitidos Granadeiro e Fernando Lima e o "caso" Clara Ferreira Alves, por exemplo), permitindo que passasse a ser olhada como coutada do governo. Tanto que agora, e bem, a Alta Autoridade vem propor que a PT venda os seus media para acabar com as promiscuidades. Há um pequeno problema: as eleições vêm aí.

Para os cidadãos que se querem esclarecidos, desta história ficou também um boa moral: é preciso ter muito cuidado com as cores que as notícias trazem atrás de si.

novembro 17, 2004

Martelada na foice

Jerónimo de Sousa secretário-geral do PCP é uma violenta martelada naquela já de si muito torta foice.