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julho 01, 2007

A Orchestra do cinema de Vertov

Em 2001, o Porto, ainda longe de apanhar com a catástrofe cultural Rui Rio em cima, foi Capital Europeia da Cultura. No actual Rivoli "Superstar" (Jesus Christ!), dançava gente como Bill T. Jones. A cidade fervilhava de espectáculos e cosmopolitismo, a par de obras e buracos por todo o lado, é verdade. Que saudades...

Um dos espectáculos inesquecíveis aconteceu no Coliseu. A Cinematic Orchestra tocou ao vivo, enquanto numa tela gigante passava o assombroso e espectacular filme O Homem da Câmara de Filmar, do russo Dziga Vertov.

Datada de 1929, esta fita, editada em Portugal pela Costa do Castelo Filmes, é um prodígio de técnicas cinematográficas, "efeitos especiais" e montagem. Um marco incontornável na história do cinema. A Cinematic Orchestra conseguiu criar um ambiente perfeito para a fruição destas imagens. Como se pode constatar neste excerto:


Anos mais tarde, Michael Nyman veio à Casa da Música acompanhar com a sua música o mesmo filme. Mas o espectáculo não resultou tão bem. As paisagens sonoras da Cinematic levam a melhor.

junho 28, 2007

junho 23, 2007

Philip Glass por estas bandas sonoras

Philip Glass actua hoje no CCB, em Lisboa, e amanhã, na nova meca dos melómanos do norte, o Theatro Circo, em Braga. Lá estaremos, como é evidente.

Glass tem 70 anos e uma obra imensa e diversificada. É considerado, a par de Steve Reich, Terry Reily e John Adams, uma das figuras mais proeminentes da chamada escola minimalista.

O piano de Glass já entrou, muitas vezes discretamente, por muitos ouvidos adentro nas salas de cinema, em filmes como The Truman Show, As Horas, Kundun ou Mishima. Talvez tenha sido, para muita gente, o primeiro e único contacto com a música deste compositor norte-americano.

Aliás, neste excerto do Truman Show, é ele mesmo que vemos a tocar ao piano:

Outra área que tem atraído Glass é o multimédia, como podemos ver nesta vídeo-instalação produzida para o drama musical em três partes (peça, dança e concerto) The Photographer:


Uma das mais recentes bandas sonoras que produziu foi a do filme Diário de um Escândalo, estreado há pouco tempo em Portugal. Neste vídeo, o próprio Glass explica como foi o processo de composição:

junho 21, 2007

Introdução a 40 anos de Leonard Cohen

Leonard Cohen anda há quase 40 anos na vida dos discos. Continua a ser um dos mais «fascinantes e enigmáticos» poetas/cantores/compositores vivos. Tem uma obra monumental, este canadiano. Impossível de resumir num qualquer post blogueiro.

Há não muito tempo, lembraram-se de lhe prestar homenagem em forma de documentário. Entregaram a realização a Lian Lunson. Para quem não conhece ou conhece mal Cohen, o DVD, I'm your man, é uma excelente introdução:



Podemos ver e escutar o compositor, que chegou a ser monge budista, no difícil exercício de se explicar um pouco melhor a si próprio, enquanto homem e artista, mas também o podemos ouvir a cantar ao lado dos U2. Como se isso não bastasse, entram em palco músicos como Rufus Wainwright, Nick Cave, Antony, Jarvis Cocker e Beth Orton para dar uma nova roupagem a temas clássicos, inesquecíveis, de Cohen.

Um deles, If it be your will, fica arrasador na voz de Antony:

junho 14, 2007

Um brinde à Cat Power

Cat Power é uma espécie de Carla Bruni mal comportada. Tem boa figura, mas, por vezes, à custa do álcool, faz figura de ursa, sobretudo em palco.

No penúltimo concerto que deu em Portugal, Cat, conta quem lá esteve, desatou a insultar o público. Estava bêbada. No último concerto, pediu desculpa pelo feito. Estava sóbria.

Pinga à parte, esta norte-americana oferece-nos uma voz sedutora, embrulhada em canções atraentes, distribuídas por uma mão cheia de álbuns, que têm passado olimpicamente ao lado dos "media" mainstream.

Cat tem-se movido nas margens, mas suspeito que esses dias estão contados: ela canta no novo filme de Wong Kar-wai e acaba de vencer, com o álbum The Greatest, a edição 2007 do Shortlist Music Prize.

Um brinde à Cat Power.

junho 13, 2007

Citando Lennon

«Amo a liberdade. Por isso, deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem, é porque as possuí, se não voltarem, é por que nunca as tive.»

junho 05, 2007

E Putin? Gostará dos seus filhos?

Estas notícias começam a inquietar. Já aparecem com destaque nas primeiras páginas dos jornais: «O Presidente Putin ameaçara voltar a apontar mísseis balísticos a alvos europeus se os Estados Unidos não desistirem de instalar mísseis interceptores na Polónia. Declarações que para o Reino Unido deixaram toda a Europa inquieta.»

Retórica de "guerra fria". Estão de volta os fantasmas da "Destruição Mútua Assegurada". E o homem volta a exibir, em todo o seu trágico esplendor, a inclinação bruta para a estupidez.

Sting precisa de actualizar "Russians", uma canção que começa assim:

«In europe and america,
there's a growing feeling of hysteria
Conditioned to respond to all the threats
In the rhetorical speeches of the soviets
»

Os cenários repetem-se. Mudaram os actores. Será que Putin gosta dos seus filhos?

junho 02, 2007

A pequena Annie

Annie Bandez, Annie Anxiety, Little Annie. Três nomes para a mesma artista. Chega-nos de Nova Iorque, pela mão de Antony (sim, o "nosso" Antony...). Annie é pintora, escritora, dançarina, artista de spoken word, actriz (apareceu em vários filmes e peças). Na música, abraça avant-garde, hip-hop, rap, punk, electrónica, reggae e rock. Já lhe chamaram "diva punk do cabaret pós-moderno"...


O seu último álbum, Songs from de coal mine canary, é produzido por outra pérola que emergiu do submundo artístico nova-iorquino, Antony (dos Antony and the Johnsons). "Rock cabaret" talvez sintetize bem a ambiência deste conjunto magnífico de canções. Com estes ingredientes, Annie, que em Março passado passou por Serralves, no Porto, não nos dá qualquer hipótese de fuga. Para ouvir e descobrir. Com carácter de urgência.

maio 29, 2007

Em memória de Chet Baker

A trompete de Chet Baker é uma mulher fatal.

maio 26, 2007

maio 25, 2007

Especial sobre os 40 anos de Sgt. Pepper's


O tampabay.com montou uma pequena narrativa multimédia especial sobre os 40 anos de um dos mais fabulosos álbuns da era rock: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Vale a pena navegar.

maio 20, 2007

Lila Downs

Lila Downs terá atingido o pico da visibilidade mundial quando apareceu, ao lado de Caetano Veloso, a cantar na cerimónia dos Oscars um tema da premiada banda sonora do filme Frida.

Mas nem assim, e em particular em Portugal, lhe parecem dar o devido valor. Lila Downs, mexicana, filha de mãe índia, mas criada nos Estados Unidos, tem poucos álbuns, quase todos muito bons, com relevo para o fabuloso Border (La Linea). Fiquei desolado quando, há alguns anos, ela veio cantar ao Porto para uma plateia deprimentemente escassa nos jardins do Palácio de Cristal.

O tema deste vídeo, El Feo, faz parte de Border, um álbum sem o qual qualquer colecção de música étnica, ou world, como lhe queiram chamar, estará irreparavelmente manca.

maio 11, 2007

New Order de estalo

Segundo contam os jornais, parece que é desta que os New Order, nascidos das cinzas dos Joy Division, em Manchester, em 1980, vão acabar. Altura para revisitar um teledisco inesquecível da década de 80. Realizado por Philippe Decouflé, para o tema True Faith, foi considerado um dos melhores vídeos de 1987. Surreal, esta pequena narrativa começa literalmente à estalada.

maio 04, 2007

Sonho de uma noite de Primavera

Ontem à noite, tive um sonho. Uma fada, daquelas dos contos a sério, entra num palco toda vestida de branco. Logo que começa a cantar - voz de menina frágil, embalando as cordas de uma harpa mágica, mãos longas e delicadas de boneca de porcelana, o cabelo comprido de sereia batendo suavemenente nas costas ao ritmo da melodia enfeitiçadora - todos os homens presentes na sala, verdadeiros cavaleiros andantes vestidos de negro, sobem ao palco, ajoelham-se perante Joanna, inclinam respeitosamente a cabeça e pedem-lhe a mão em casamento.

maio 02, 2007

Tindersticks, morrendo aos poucos

Se há canção dos Tindersticks que resume na perfeição a melancolia, o spleen, o desespero de fim de linha que a banda empresta à sua música é este Dying Slowly. Um homem sentado ao balcão de um bar, em horas perdidas na noite, afogando as mágoas no fundo de um copo, cansado de tudo, esperança zero. Violinos que choram.

"I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one
So many squandered moments
So much wasted time
So busy chasing dreams
I left myself behind "

Os estúdios de animação Cosgrove Hall fizeram um trabalho magnífico de composição visual do tema.

maio 01, 2007

A música vem das estrelas

«A música, afinal, é a linguagem para além da linguagem. E ela é, como diz o poeta Eichendorff, a linguagem das coisas, aquilo que lhes dá vida. As estrelas fazem música ao girarem, e o corpo do violino responde à oscilação das cordas. E também nós respondemos, o que quer dizer que o nosso corpo acompanha o swing. (...) Ela estabelece a sincronicidade entre os corações e os movimentos de várias pessoas e é, por isso, indicada para a comunicação entre os homens e os deuses.»


Dietrich Schwanitz, Cultura: tudo o que é preciso saber

abril 28, 2007